Ser Você é Se Reconectar Com a Sua Criança de Luz e Se Respeitar

Lana Bella

 

Autenticidade. Conexão. Essência.

Autenticidade é se permitir olhar para dentro de si e agir com o coração. É fazer escolhas conscientes visando àquilo que nos traz mais satisfação e conforto com quem somos e ainda queremos ser. Não conforto como zona de comodismo, mas sim como autocuidado.

Conexão é se conhecer e se entender. Buscar lá atrás e no agora os medos e receios que te motivaram a ser quem é hoje e que ainda podem te limitar a ser quem quiser amanhã. Saber suas crenças e tratá-las com amor, a partir do autoconhecimento.

Essência é luz e também é sombra. Um belo quadro jamais será composto apenas de um ou de outro, as mais renomadas pinturas sempre são uma combinação dos dois. Onde há luz, há sombra e vice-versa. Cabe a nós encontrarmos nossa luz, resgatando autoestima.

Todos possuímos dentro de nós uma essência que teve sua luz reprimida ao longo do tempo, dando lugar apenas à sombra daquilo que realmente somos – de nossa melhor e mais autêntica versão. Ser você é se reconectar com a sua criança de luz e se respeitar.

Quando crianças, somos luz. Crescemos e nos tornamos sombra. Não deixamos de ter ambos em nosso interior, porém apenas transparecemos o que parece agradar ao outro. Tínhamos empolgação nas pequenas coisas e isso se perde conforme não recebemos amor e atenção.

Só queríamos correr, pular, gritar, brincar e a primeira coisa que ouvimos ao entrar na escolinha é “senta e fica quieto”, a imaginação e a criatividade começam a morrer. Só queríamos carinho e afeto e nos acostumamos com a solidão e exclusão quando nossos pais precisam trabalhar e nossos colegas, tão carentes quanto nós, se isolam por medo.

Começamos a nos sentir inseguros, incapazes, insuficientes e, principalmente, indignos de amor. Sermos nós mesmos é ter a coragem de enfrentar tudo isso de peito aberto e voltarmos a nos amar a partir de ações que façam sentido de verdade para essa criança interior. Questionar a cada decisão importante o que vem de dentro e o que vem de fora.

Em minha vida, percebo que minha luz da infância se perdeu de vez exatamente aos 12 anos, quando inocentemente me coloquei num ambiente tóxico e escuro da nova era digital. Eu só estava navegando pela internet, jogando online, quando um rapaz me coagiu a aceitar um bate-papo mais íntimo pelo webcam.

Anteriormente, passei por anos me diminuindo em relação a minha prima e sendo rejeitada pela minha primeira paixão, havia há pouco sido transferida para um colégio particular de elite e me sentia deslocada. Encontrei na internet uma forma de inflar meu ego e foi aí que as sombras de uma garota insegura passaram a me controlar.

Durante toda minha adolescência procurei usar a sensualidade feminina ao meu favor, fingindo não me importar com a exposição que esse comportamento me trazia. Sem saber que, no fim das contas, estava me machucando e me destruindo aos poucos – de dentro para fora – com essa falsa liberdade.

Pensava que ser livre era lutar contra o sistema sendo tudo àquilo que ninguém tinha coragem de ser. Quando, na verdade, ser livre é sobre ser tudo àquilo que você quer ser independente dos outros. E agora, com fotos e vídeos espalhados pela escola e pelo mundo – sem controle algum – eu passava uma imagem de “fácil”.

Por muito tempo sofri diversos tipos de assédio, do verbal ao físico, e fui deixando essa reputação tomar conta de mim. Até que, aos 18 anos, eu resolvi dar um basta nessa máscara de “deslocada e rejeitada” que me causava uma necessidade desenfreada de chamar a atenção e ser vista principalmente sexualmente.

Permiti-me reencontrar a luz.

***Continua na próxima quarta-feira às 19h!***

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Lana Bella
Apenas uma jovem adulta de alma intensa, livre, transparente e autêntica - apaixonada por si e por tudo que o mundo ainda possui a me oferecer. Nascida em São Paulo, aos 19 anos luto a cada dia para ser minha melhor versão. Encontrei na escrita uma maneira de organizar meus pensamentos, aquietar meu coração e conhecer a mim mesma. Correndo sempre atrás do sonho de ajudar o próximo a estar bem consigo mesmo em toda sua complexidade do ser e de ser humano.