Relacionamento tipo porta giratória

Fabíola Simões

Espero que você não ignore o quanto esse vai e vem emocional te faz mal, e aprenda de uma vez por todas que quem te tem em consideração não faz do seu coração, nem do relacionamento, um parque de diversão.

A gente ensina aos outros como quer ser amado. Talvez de modo inconsciente, a gente mostra a todo mundo como deseja ser tratado, e nem sempre demonstramos que queremos ser bem amados, bem cuidados, bem olhados, bem decifrados, bem respeitados.

Muitas vezes preferimos requentar o café frio de anteontem a não beber café nenhum e, de modo distorcido, ensinamos aos outros que não merecemos um café quentinho e cheiroso, recém passado e com sabor marcante.

Talvez devêssemos escolher não ter nada a ter as piores porções.

E é assim também que aceitamos um relacionamento tipo porta giratória, e permitimos que nosso coração abrace e seja abandonado tantas vezes quanto o outro quiser, pois preferimos ter esse alguém entrando e saindo de nossas vidas a não ter esse alguém de jeito nenhum.

Nem sempre iremos nos machucar num relacionamento assim.

Quando é conveniente para os dois, quando ninguém está criando expectativas ou desejando algo mais, os pratos da balança se equilibram e ninguém se machuca.

Porém, tudo muda quando você faz um investimento emocional na relação e o outro não. Quando você aposta num banquete e recebe somente migalhas.

Você jamais terá um banquete se fica farto com as migalhas.

Jamais será levado a sério se romantiza joguinhos e justifica vácuos e perdidos.

Jamais será convidado pra um encontro olho no olho se acredita que o like na foto antiga é a melhor alternativa.

Mas antes de sair fazendo cobranças e exigências, estabelecendo regras e impondo ultimatos, experimente simplesmente sair da porta giratória e veja o que acontece.

Ao invés de esperar uma mudança de atitude do outro, mude você.

Seu coração não precisa viver em compasso de espera, dando chances e mais chances a alguém que simplesmente não se importa. Se o outro se importasse, a porta não giraria.

Espero que você nunca se esqueça que ofereceu chances e elas foram desperdiçadas, todas elas.

Espero que você não se distraia das sensações ruins que a porta giratória te causou, e não caia na tentação de duvidar das cicatrizes que ela deixou.

Espero que você não ignore o quanto esse vai e vem emocional te faz mal, e aprenda de uma vez por todas que quem te tem em consideração não faz do seu coração um parque de diversão.

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Fabíola Simões
Nasceu no sul de Minas, onde cresceu e aprendeu a se conhecer através da escrita. Formada em Odontologia, atualmente vive em Campinas com o marido e o filho. Dentista, mãe e também blogueira, divide seu tempo entre trabalhar num Centro de Saúde, andar de skate com Bernardo, tomar vinho com Luiz, bater papo com sua mãe e, entre um café e outro, escrever no blog. Em 2015 publicou seu primeiro livro: "A Soma de todos os Afetos" e se prepara para novos desafios. O que vem por aí? Descubra favoritando o blog e seguindo nas outras redes sociais.