Reencontros não são coincidências, são cura, que transforma ódio em amor

Idelma da Costa

Reencontros não são coincidência, são a cura necessária que transforma ódio em amor

Não podemos nos deixar abater em virtude dos outros, seja por meio de palavras, gestos ou omissões.

Somos seres humanos em construção e ninguém nasce sabendo. Aliás, não existem pessoas perfeitas.

A vida é uma caminhada na qual trocamos experiências, conhecimentos, sabedorias e vivências.

É uma trajetória com mais curvas e retas.

Aprendemos, mas muita coisa morreremos sem saber. É um eterno aprendizado.

Assim que aprendemos uma lição, logo se inicia outra e assim por diante. Não existe rotina e nem monotonia.

No máximo sentiremos cansados ao atravessarmos caminhos com muitas pedras e subidas. Dessa forma gastaremos mais energias e o esforço físico redobrado fará com que os músculos das pernas trabalhem mais. Como consequência ficaremos mais preparados para desafios ainda maiores.

Nessa caminhada corre-se o risco de ser reprovado, quando o foco se perde. Diante de uma subida escorregadia, um vacilo qualquer levará ao ponto inicial.

O ciclo não fechado lhe dará o oportunidade ímpar de rever situações mal resolvidas contaminadas pelo ódio.

E quando menos se espera, as pessoas com quem se teve alguma animosidade no passado retornam nas situações mais surpreendentes.

Aquele velho ditado popular:

“Quanto mais eu rezo mais assombração aparece.”.

Parece mentira, mas acontece de fato.

Todos tem uma história assim para contar e principalmente os mais velhos.

E que história!

Aquela em que achamos que nunca acontece na vida real. Literalmente, a vida imitando a arte. Não é mera coincidência.

O destino faz questão que os caminhos se cruzem para resolverem de vez a pendência de dias, meses ou anos atrás.

Ao se reencontrarem pelo caminho afora a memória relembrará em detalhes do trauma que ficou marcado na alma. Geralmente, quem ofende esquece, mas quem é ofendido nunca esquece.

O ofendido irá se sentir fora de prumo. Perceberá que saiu do eixo da normalidade, o que o fará ter raiva, ódio e rancor.

Inconscientemente e até mesmo conscientemente irá querer revidar, mesmo sabendo ser um comportamento errado e atípico.

Ocasião em que se perde o senso e involuntariamente coloca tudo a perder ao falar mal do fulano e de sua vida, bem como ao tentar prejudicar de fato a pessoa diretamente, com implicâncias infundadas ou qualquer outro tipo de comportamento.

A intenção real é destruir o outro ou sua reputação ao colocar o mundo inteiro contra aquela criatura, fazendo formação de opinião pública usando todas as artimanhas possíveis.

Quando alguém faz o outro se sentir mal, é natural do ser humano entrar em estado de defesa e até planejar aquela “vingança básica”. Quem nunca ouvir falar da expressão “olho por olho, dente por dente.”?

Essa situação o irritará e o incomodará de tal forma, que mesmo agindo de forma a descontar o mal, o levará a refletir e repensar sobre o passado. Hora em que a paciência se fará necessária. E coloca paciência nisso. Muita paciência.

Toda dor outrora será revivida com intensidade e o fará perder o controle da situação por mais banal que ela seja.

Te fará sentir ódio e a vontade de revidar tomará conta a ponto de se tornar insuportável, mas não insuperável, pois a dor fará com que você cresça e amadureça. Como se fosse algo espiritual, que não tem explicação lógica.

Apenas, será necessário para a evolução, transformando-lhe num ser humano melhor ao concluir que o monstro que pintado por dias, meses, anos e décadas, na realidade nunca existiu, apenas foi fruto de uma imaginação fértil, num momento não propício ao amor, no qual uma das partes não estava bem consigo, ou ambos não estavam bem, ou houve um equivoco ao interpretar algo dito.

A pendência de algo não resolvido ressurgirá inesperadamente.

Surpreenderá e o improviso de maneira incontrolável tomará conta, fazendo-o reagir como meio de defesa e o que é pior, do nada e sem motivo algum em termos do vivido no presente.

O “desenterrar defunto” ao colocar tudo em pratos limpos numa conversa direta e franca, pode resolver ao verem que não tem nada a ver.

Colocar uma pedra em cima liberando o perdão através da paciência pode resolver também.

O deixar para lá, pois não resolverá nada, também será uma solução, ao aceitar que não podemos mudar o mundo.

Independentemente de qual seja a escolha, todas levarão ao caminho do amor, deixando o ódio de lado.

E diante do nada a ver, ficarão perplexos, sem entender nada e com isso o ciclo se fechará e a vida seguirá em frente com o fechar das feridas abertas, momento em que o ódio será convertido em amor ao próximo.

O sem remédio do passado, remediado estará no futuro.

E a sensação de paz invadirá ambos e as almas serão libertas para o continuar da trajetória de maneira totalmente desprendida, sem amarras e sem algemas.

Os dissabores e as amarguras fazem parte da vida, mas tudo no final será concluído e finalizado da melhor forma possível, mesmo que não tenhamos consciência, pois tudo, até mesmo o que consideramos ruim, conspira a nosso favor.

Ao sentirmos perdidos ao depararmos com o que não tem lógica, o melhor a fazer é confiar que o melhor estará sendo feito e esperar, pois tudo passa.

Faz parte.

Não somos perfeitos, sempre há algo a ser melhorado em nós, mas a vida é perfeita.

Não podemos nos deixar ser influenciados por aquilo que achamos ser, pois somos falhos e podemos cometer equívocos.

Não podemos nos deixar ser influenciados pelo que os outros realmente falam, pois o problema pode ser da outra pessoa que esteja com algum tipo de problema.

Não podemos nos deixar ser influenciados por nada que venha a nos diminuir ou nos prejudicar, causando traumas.

Não devemos absorver nada ruim.

É desnecessário.

Sejamos seletivos ao deixar para lá o que não nos acrescenta.

Paremos de nos vitimizar.

Nem sempre o que achamos é o que realmente é.

Podemos nos enganar com palavras.

Podemos interpretar mal determinadas situações.

Uma mesma mensagem pode ser interpretada de formas diferentes de acordo com o jeito que se fala.

Se interpretamos mal à base do ódio, a vida dará um jeito de reverter em amor.

Serão as coincidências de propósito com um propósito maior.

Se ficou o ódio de alguém, pode ter certeza que essa pessoa aparecerá do nada.

As situações se repetirão para serem corrigidas.

Então, cuidado ao nutrir o ódio por alguém, pois vocês poderão se reencontrar ao trabalharem juntos, ao estudarem na mesma sala de aula, ao ficarem internados no mesmo hospital e dividindo o mesmo quarto, ao serem vizinhos, ao serem destaque da mesmo evento… Ou você poderá precisar do favor dessa pessoa.

Nada na vida é coincidência.

Muitas das vezes nos equivocamos, não damos o braço a torcer e nos fazemos de vítima.

Toda dor causada seja por outrem ou por nossos equívocos servem para o nosso crescimento.

Às vezes não entendemos na hora, mas lá na frente teremos a resposta para aquilo que não teve explicação e teremos a certeza que foi para o nosso bem.

Teve um motivo maior.

Talvez aquela humilhação sentida, independente de ter sido real ou não, foi o trampolim para você se tornar o grande homem ou a grande mulher que é.

Devemos parar de culpar os outros de nossa dor, dos nossos erros e de tudo que acontece de errado conosco.

E agradecer, pois se somos o que somos, as coisas ruins fizeram parte para a construção de algo maravilhoso.

Não foi culpa disso ou daquilo e muito menos de ninguém.

Para quê se vitimizar e carregar traumas desnecessários?

Procure sempre viver bem, principalmente de forma desarmada.

Ame o seu próximo como a si mesmo e tudo fluirá.

COMPARTILHAR

RECOMENDAMOS






COMENTÁRIOS




Idelma da Costa
Idelma da Costa, Bacharel em Direito, Pós Graduada em Direito Processual, Gerente Judicial (TJMG), escritora dos livros Apagão, o passo para a superação e O mundo não gira, capota. Tem sido classificada em concursos literários a nível nacional e internacional com suas poesias e contos. Participou como autora convidada do FliAraxá 2018 e 2019 e da Flid 2018.