Recentemente, nas redes sociais, um caso envolvendo a Fuvest vem sendo assunto e reacendeu um debate: o que realmente leva uma redação a tirar nota zero?
Nas redes, viralizou trechos do texto de um candidato que conseguiu tirar zero em sua redação que chocou os internautas, e o principal motivo é uso de linguagem extremamente rebuscada.
No entanto, segundo a banca avaliadora, o motivo da nota não foi o vocabulário, e sim a falta de clareza no desenvolvimento do tema.
O que aconteceu no caso da redação zerada
O estudante, de 18 anos, disputava uma vaga no curso de Direito da Universidade de São Paulo quando teve sua redação anulada na segunda fase do vestibular de 2026.
O tema proposto era: “O perdão é um ato que pode ser condicionado ou limitado”
Apesar de apresentar um texto com palavras sofisticadas e construções complexas, a banca avaliadora entendeu que o candidato não conseguiu desenvolver a proposta de forma clara, coerente e pertinente.
Por que a redação recebeu nota zero
De acordo com a Fuvest, a nota máxima negativa (zero) não está relacionada ao uso de palavras difíceis, mas sim a critérios mais objetivos.
Entre os principais motivos que podem levar à anulação de uma redação estão:
- Não desenvolver o tema proposto
- Fugir da proposta apresentada
- Desrespeitar o tipo textual (como não fazer uma dissertação)
- Copiar trechos da coletânea
- Inserir identificação no texto
No caso em questão, a avaliação apontou que o texto não apresentou uma tese clara sobre o tema do perdão, comprometendo a progressão das ideias.

Vocabulário sofisticado pode prejudicar?
Um dos pontos que mais gerou debate foi o uso de linguagem rebuscada. Muitos se perguntaram: escrever difícil pode zerar uma redação?
A resposta é direta: não, por si só.
O uso de vocabulário avançado faz parte da competência linguística e pode até ser positivo, desde que contribua para a clareza do texto.
O problema surge quando:
- A linguagem dificulta o entendimento
- O texto perde objetividade
- O autor prioriza “impressionar” em vez de argumentar
De acordo com especialistas, nesse caso, houve um desequilíbrio entre forma e conteúdo.
O recurso na Justiça e a decisão
Após o resultado, o candidato entrou com uma ação judicial solicitando a revisão da nota. Ele argumentou que desenvolveu o tema adequadamente e questionou a ausência de justificativa detalhada.
O caso foi analisado pela Justiça de São Paulo, mas o pedido de liminar foi negado. O entendimento foi de que não havia elementos suficientes para intervenção imediata no processo seletivo.
Além disso, a banca informou que a redação passou por múltiplas correções independentes, reforçando a validade do resultado.
O que esse caso revela sobre a redação da Fuvest
A polêmica trouxe à tona um ponto essencial: não basta escrever “bonito”, é preciso escrever com propósito.
A correção da redação na Fuvest valoriza:
- Clareza na exposição de ideias
- Coerência argumentativa
- Desenvolvimento do tema
- Organização textual
- Uso adequado da linguagem
Ou seja, o foco está na capacidade de construir um raciocínio consistente, não apenas no uso de palavras sofisticadas.
Cuidado com sua próxima redação
O caso da redação zerada viralizou, mas também serviu como alerta para milhares de estudantes: dominar o conteúdo e se comunicar com clareza continua sendo o fator mais importante.
Mais do que impressionar com vocabulário difícil, o que realmente garante uma boa nota é mostrar que você entendeu o tema e soube desenvolvê-lo de forma lógica, objetiva e bem estruturada.
Aluno tira ZERO na redação da Fuvest ao usar ‘palavras difíceis’ e processa reitor da USP.
“Perpassa em altivez, pela procela, a grandiloquência condoreira, em cuja máxima aforismática revela a tétrica languidez do sofrer recôndito.”
Esta é a frase inicial da redação, informa… pic.twitter.com/0upZcx4EYO— QG do POP (@QGdoPOP) March 27, 2026
Imagem de Capa: Canva/Reprodução/X

