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‘Rainha da Sucata’ faz sucesso nas redes sociais usando ‘Roupa nova e maquiagem do lixo”

O apelido faz referência a Maria do Carmo, interpretada pela atriz Regina Duarte na novela “A Rainha da Sucata”. “Cresci e criei meus filhos com coisas do lixo”.

POR PATY MORAES NOBRE

Aos 40 anos, Cacilda Aparecida de Souza é uma mulher famosa em Ourinhos, município com pouco mais de 111 mil moradores no interior de São Paulo. Na cidade ela é conhecida como a “Rainha da Sucata”.

O apelido faz referência a Maria do Carmo, interpretada pela atriz Regina Duarte na novela “A Rainha da Sucata”. Assim como a personagem da trama da TV Globo, exibida em 1990, Cacilda é catadora de materiais recicláveis.

Nas redes sociais, tem milhares de seguidores e fãs. No Instagram ou no Facebook, Cacilda sempre compartilha a rotina de trabalho e faz selfies usando as peças que encontra. Os posts também exibem legendas com discursos bem articulados sobre reaproveitamento de objetos.

“Cresci e criei meus filhos com coisas do lixo”

“Cato reciclagem desde criança e amo trabalhar com a reciclagem dos lixos”, orgulha-se, em entrevista ao EVA. “Já fiz parte de cooperativa, mas os catadores eram escravizados e humilhados e saí. Por isso, desde 2011, trabalho sozinha com um carrinho coletando materiais diretamente dos lixos pelas ruas da cidade”, conta.

Mãe de quatro filhos (a mais nova tem 10 anos e a mais velha, 23 anos), Cacilda chega a ganhar R$ 30 por dia com plásticos, metais e papéis. Em um dia de trabalho, no entanto, ela diz encontrar muito mais do que uma remuneração.

“Cresci e criei meus filhos com coisas do lixo. Dos lixos, retiro muitas coisas, como roupas boas, que cato, trago para casa e lavo. É tanta coisa que consigo doar para pessoas que também necessitam”, destaca. “Tenho sempre roupa nova, acessórios, brincos, colares, maquiagem e alimentos, tudo retirado do lixo. As pessoas preferem jogar coisa boa no lixo a doar”, emenda.

Vaidosa e criativa, a catadora mostra os looks que cria para toda família a partir de retalhos de tecido.

Minha filha participou da festa junina ,com blusa encontrada no lixo e saia dela e minha ,feitas com sombrinhas tbm do lixo, acessórios todos feitos com materiais reciclados ,fomos a atração na festa.

O catador valoriza o meio ambiente

Cacilda mora em uma edícula nos fundos da casa do ex-marido mobiliada com móveis encontrados na rua. “Amo minha casinha, minhas coisas e sou muito feliz com a vida que eu levo”, afirma. “Os catadores se sentem nada, muito desvalorizados e tento mostrar o lado bom de ser catador, tanto para o meio ambiente como para um mundo melhor para vivemos”, opina.

Segundo a catadora, falta muita consciência e envolvimento das pessoas sobre o descarte ideal de materiais.

“As pessoas colocam o reciclável no meio do papel higiênico, no meio do cocô do cachorro, da comida estragada… Também é triste ver brinquedo perfeito, que poderia ser doado para uma criança, desse jeito. Trago para casa, lavo e faço doação. É uma satisfação grande, uma riqueza que Deus me deu e agradeço meu trabalho porque, mesmo sem dinheiro, sempre pude ajudar e ser ajudada na infância com coisas do lixo. E nunca me senti inferior, assim como meus filhos, que sentem orgulho”, emociona-se. “Minha filha mais velha está fazendo Pedagogia e até vai para a faculdade com uma bolsa encontrada no lixo”.


Pessoas falam muito, mas não fazem

Cacilda insiste no discurso da conscientização. “As pessoas não reciclam, não reutilizam e, sempre que posso, mostro o tanto que é importante e tanto que a gente pode fazer pela natureza. Muito se fala sobre reutilizar, reduzir, reciclar, mas, eu, catadora, que coleto direto do lixo das pessoas, acho que as pessoas falam muito, mas não fazem. Muito se perde de reciclagem no lixo das pessoas que se dizem estudadas. Nas faculdades, por exemplo, os lixos são lotados de recicláveis”, alerta ela, que chegou a concluir o ensino médio apesar das dificuldades.

Trabalho honesto

Atualmente, Cacilda começou a fazer aulas de violão e até já compôs uma música que narra a vida dela e dos colegas de trabalho. “Fiz essa música para os catadores contando nossa realidade porque as pessoas acham que por sermos sujos, somos maconheiros, ladrões e pessoas sem caráter. Pessoas sem caráter existem em todas as profissões e a canção fala sobre a realidade das pessoas trabalhadoras que se esforçam mesmo ganhando pouco para terem um trabalho honesto”, encerra.

*Com informações de EVA JOVEM PAM.

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