Quer compreender um adulto? Investigue a infância dele!

Ivonete Rosa
Thoughtful little boy leaning on a parke bench.

A Psicologia, em suas mais variadas abordagens teóricas, confirma o poder da influência dos acontecimentos na infância ao longo da vida do indivíduo. Desse modo, fica claro que o que aconteceu na nossa infância acompanha-nos pela vida inteira, obviamente, cada pessoa terá a sua própria maneira de elaborar o que lhe aconteceu, então, uma mesma experiência dolorosa poderá resultar em diferentes consequências emocionais na vida daqueles que a sofreram.

Algumas pessoas terão mais facilidade de superar, enquanto outras ficarão emocionalmente presas àquele episódio independente do tempo que tenha passado. Se nem todo adulto possui imunidade emocional capaz de “blindá-lo” contra possíveis danos emocionais, imagine uma criança. Diante dessa vulnerabilidade, as crianças tornam-se alvos fáceis das influências que recebem das pessoas que, de uma forma ou de outra, interagem com elas. É na infância que construímos o alicerce para o nosso “eu” adulto, então, as vivências nessa fase poderão definir o modo como iremos nos portar ao longo da vida.


Mediante essa constatação, fica muito claro sobre o porquê de termos determinados medos, fobias, coragem, persistência etc. Uma criança que sempre recebeu críticas severas quando errava, mesmo durante uma brincadeira, quando adulto terá o conceito de que errar é algo inadmissível, o que poderá configurar em um limitador do seu potencial criativo. Seguramente, ele será um adulto com muita dificuldade em tomar iniciativa, pois estará condicionado ao medo de errar e sentir-se fracassado, e, consequentemente, punido.

Diferentemente de uma criança que conviveu com adultos que a apoiaram nas suas limitações, levando-a a compreender que o erro é plenamente aceitável e que faz parte do desenvolvimento e do aprendizado dela. Existem muitas pessoas com potenciais de águia, vivendo como galinhas, e, provavelmente, a raiz desse modo de viver está lá nos primeiros anos de vida. Infelizmente, muitas pessoas nascem num contexto bastante castrador para o desenvolvimento delas.

Muitas pessoas queixam-se da pobreza material que viveram na infância, atribuindo a ela quase a totalidade das suas dificuldades, o que muitos ignoram é o fato de que é plenamente possível uma criança tornar-se um adulto livre de sequelas emocionais mesmo tendo nascido num contexto tão pobre do ponto de vista financeiro e material. Ocorre que há uma interpretação equivocada sobre o conceito de criança feliz. Nossa sociedade capitalista e extremamente consumista nos leva a acreditar que uma criança, para ser feliz, precisa ter coisas, brinquedos caros, eletrônicos de última geração, tênis caríssimos etc.

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Ivonete Rosa
Sou uma mulher apaixonada por tudo o que seja relacionado ao universo da literatura, poesia e psicologia. Escrevo por qualquer motivo: amor, tristeza, entusiasmo, tédio etc. A escrita é minha porta voz mais fiel.

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