Quem teme as pessoas interessantes, que se contente com as interesseiras!

Prof. Marcel Camargo

Quem não se lança, além das aparências, fica somente ali, paradinho, em relações rasas, desprovidas de entrega e de inteireza. São os que se contentam com a superfície, com o morno, com intensidade pouca.

Li uma citação muito interessante de Marla de Queiroz, que dizia: “para os homens que têm medo das mulheres interessantes, que sejam felizes com as interesseiras”. A partir dela, refleti sobre o temor que certos tipos de pessoas causam às demais, a ponto de serem deixadas de lado e, muitas vezes, serem alvos de preconceito. Simplesmente porque o que não conhecemos pode ser assustador mesmo.


Geralmente, pessoas ousadas, destemidas, que vivem conforme aquilo em que acreditam, não se importando com as censuras alheias nem com o que os outros irão pensar, sendo felizes do jeito que acharem melhor, serão mal interpretadas.

Isso porque quem não tem coragem de viver o que possui dentro de si tende a discordar com veemência de todos que demonstram a coragem que lhe falta.

E, mesmo que se caminhe sem pisar ninguém, sem fazer mal, sem prejudicar os outros, basta a pessoa remar do lado contrário do que se prescreve como o mais normal, para ser posta em evidência negativamente.
Pessoas que se lançam com mais verdade, além do que está dentro de regras sociais, nunca serão aceitas confortavelmente, porque a multidão obediente se incomoda com tudo o que lhe traz algo de fora de sua zona de conforto.


Muitos, infelizmente, ainda preferem o que é aparentemente cômodo a conhecer outros horizontes, pois isso requer coragem. Além do mais, vivemos a era das aparências, da supervalorização do que se compra, do que se tem, do que se é esteticamente. Nesse contexto, poucos tentam conhecer o outro além do que ele oferece aos olhos. Poucos têm disposição para se demorar e compartilhar as verdades de dentro com o outro.

Na verdade, quem não se lança, além das aparências, fica somente ali, paradinho, em relações rasas, desprovidas de entrega e de inteireza.

São os que se contentam com a superfície, com o morno, com intensidade pouca. São os que vivem pela metade, porque quem se contenta com as aparências jamais vivenciará o mergulho intenso e arrebatador na profundidade do amor verdadeiro.

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Prof. Marcel Camargo
Graduado em Letras e Mestre em "História, Filosofia e Educação" pela Unicamp/SP, atua como Supervisor de Ensino e como Professor Universitário e de Educação Básica. É apaixonado por leituras, filmes, músicas, chocolate e pela família.