Quando uma amizade se transforma em um relacionamento abusivo

Gisele Lacorte

Quantas vezes já tentamos ajudar um amigo com toda boa vontade e de repente recebemos uma punhalada pelas costas? Para que um relacionamento abusivo se configure é preciso que haja um abusador e um abusado, que vivenciam uma dinâmica relacional neurótica que se encaixe como chave na fechadura.

Quando atraímos constantemente um mesmo padrão de relação que consideramos nocivo, este é um sinal claro de que existe ainda uma parte nossa precisando ser vista, acolhida e curada, para que o aprendizado seja acolhido e a repetição deixe de ser necessária!

Hoje vou contar uma história que aconteceu com as amigas Wanda e Walquíria, vale a pena ler para ver se com você já aconteceu algo parecido.

Walquiria terminou seu casamento, estava mal, triste, precisando de acolhimento e amparo, Wanda generosa que é, logo se compadeceu e ofereceu sua casa como novo lar de sua querida amiga.

Inicialmente Walquiria se disse perdida, triste, sem dinheiro e Wanda como boa amiga que é, faz todo o acolhimento, escuta por horas as dores e relatos da amiga, lhe oferece colo, comida e compaixão pela situação difícil que enfrenta.

Wanda tão compadecida da situação da amiga, se sentiu constrangida em colocar claramente quais eram as regras da casa, até onde estava disposta a ir para ajudar a amiga, o que esperava dela em relação à contribuição financeira, ou divisão das tarefas domésticas. Afinal não era o momento apropriado para falar sobre estes assuntos burocráticos. (Alerta vermelho soando!!!)

Walquiria foi se restabelecendo, mas não colaborava financeiramente com a casa, não participava do rateio das compras, não ajudava nas tarefas domésticas. Wanda, por sua vez, ainda se sentia constrangida de comunicar seu incômodo e sensação de desrespeito a amiga, esperando que a situação se resolvesse por si mesma…

Quando Wanda ultrapassa todos os seus limites e está no auge da irritação, ela explode, ambas brigam, e rompem a relação.

Walquiria sai da casa da amiga chamando–a de desequilibrada e mesquinha!

Será que você já viveu ou vive um relacionamento abusivo com uma amiga?

Reflita sobre estas perguntas e perceba se você se sente desta forma:

• Ela faz críticas destrutivas a seu respeito em tom de piada ou fala sério e depois diz que estava brincando?
• Coloca-se em posição de superioridade diminuindo o valor das suas boas ideias?
• Menospreza as suas vitórias?
• Você se sente sufocada pela grande necessidade de atenção que ela demanda?
• Você se sente na maior parte das vezes maldosa ou egoísta quando diz não a um pedido dela e escolhe por você mesma?
• Nesta relação você tem a eterna sensação estar em falta com esta pessoa, mesmo que esteja fazendo o melhor que pode?

Cuidado com o que você permite! A forma como permitimos que os outros nos tratem é um reflexo claro da maneira como estamos nos tratando…

Nós só entendemos que estamos em um relacionamento abusivo entre amigos, quando passamos a nos conhecer e a reconhecer o que nos fere, o que está impedindo o nosso crescimento e principalmente o que está nos puxando para baixo, assim, quando detectamos, podemos dizer NÃO, EU não gosto, EU não quero, EU não aceito!!!

Ensinamos os outros a nos tratar da maneira que acreditamos merecer. E aumentamos nossa percepção de merecimento quando nos aceitamos e amamos da forma como realmente somos

Quantas relações se perdem porque simplesmente não comunicamos nossos incômodos, nossas necessidades e não estabelecemos limites claros e bem definidos sobre o que toleramos.ou não toleramos desde o início?

Será que você vive hoje uma ou mais relações abusivas com seus amigos?

Nossas relações saudáveis tem a função de nos fazer evoluir e crescer como pessoas. As diferenças, confrontos e conflitos neste caso podem servir como fatores de crescimento para todos os envolvidos, quando são adequadamente trabalhadas. Se perceber que não consegue evoluir para um relacionamento mais saudável, então a opção é se afastar. Não force. Por mais que doa no início, no final, você vai ver que foi o melhor a fazer.

Se você quer que o mundo e as pessoas mudem, não fique sentada esperando, ou se desgastando tentando mudar o outro, mude a você mesma e todo o resto fluirá naturalmente! Acredite!

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Gisele Lacorte
Psicóloga clínica, terapeuta corporal, consteladora familiar e orientadora profissional. Escritora e facilitadora de workshops, palestras e grupos terapêuticos que visam auxiliar as pessoas a reconhecer e ativar sua potencia de realização e alegria de viver através da reconexão com a sua verdadeira essência, do profundo cuidado com o sentir e com o poder de expressar suas emoções mais genuínas. Desenvolve trabalhos personalizados para grupos e empresas.