Quando os nossos pais adoecem nos sentimos impotentes diante da finitude da vida…

Quando os nossos pais adoecem a vida nos exige força, enquanto a mente, tenta segurar a vida que nos escapa.

Quando nossos pais ficam doentes percebemos que chegou a hora de retribuir o cuidado, mas nem sempre estamos prontos para arcar com essa responsabilidade.

Quando nossos pais ficam doentes, sentimos que não somos bons o bastante para oferecer o que eles precisam, a gente se sente culpado, mesmo não tendo culpa alguma.

A gente fica confuso, sem saber se somos filhos ou pais deles. Mas temos que aprender a exercer o cuidado que eles precisam como filhos, como pequenos, porque eles são os grandes, por mais que estejam, momentaneamente, dependentes.

Acho que essa é a parte mais difícil para muitos, continuar na postura de filho e exercer o cuidado com humildade, não com autoridade.

Ver os nossos “super-heróis” definhando, é muito triste, percebemos que nem os seres mais fortes do mundo conseguem permanecer fortes para sempre.

A eminente despedida nos desestabiliza no momento em que precisamos nos mostrar tão fortes como eles já foram um dia.

A dor do presságio da partida rasga o nosso peito e nos sentimos vulneráveis diante da fragilidade deles.

Quando os nossos pais adoecem, o que nos resta é aceitar a impermanencia da vida e agradecer pelo tempo que tivemos juntos. A falta de aceitaçao faz com que a gente adoeça junto com eles.

A nossa tristeza e desespero não vai trazer a cura, não vai fazer com que eles permaneçam mais tempo ao nosso lado.

Mas podemos deixar tudo um pouco mais leve quando confiamos que eles sempre permanecerão vivos dentro de nós.

Quando nos comprometemos a realizar os nossos sonhos, conseguimos fazer com que eles sintam que a vida que eles nos deram, valeu a pena.

Apesar da dor, o que nos ajuda a continuar vivendo é entender que os pais nunca morrem, apenas os seus corpos físicos os abandonam, mas a força e a presença do amor deles, sempre permancerão em nossos corações.

Esse movimento de guardar os nossos pais dentro de nós e olhar para a vida que eles nos deram com gratidão, nos resgata do desespero de vê-los doentes e do luto, quando eles precisam partir.

Quando os nossos pais adoecem, a única maneira de encontra forças para seguir em frente e fazer o que precisa ser feito é olhando para o ciclo de vida e da morte com aceitação.

Não é fácil, eu sei, mas o maior presente que podemos dar aos nossos pais quando eles adoecem, é a nossa felicidade e gratidão pela vida que nos deram.

*DA REDAÇÃO RH. Texto de Robson Hamuche, idealizador do Resiliência Humana, terapeuta transpessoal e Constelador Familiar.

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Robson Hamuche é Terapeuta transpessoal com especialização em constelação familiar, compõe a equipe de terapeutas do Instituto Tadashi Kadomoto (ITK). É também idealizador e sócio-proprietário do Resiliência Humana, grupo de mídia dedicado ao desenvolvimento humano, que reúne informação de qualidade acerca de todo o universo do desenvolvimento pessoal, usando uma linguagem leve e acessível.