Quando tudo em mim era incerto, você agregou certezas, direções, alicerces. Quando eu só percebia insignificâncias ao meu redor, você trouxe significado, razão, motivo. Quando já não procurava mais, você me achou e insistiu, acreditou em nós, perdoou minhas falhas, cuidou dos meus medos, enfrentou comigo as tempestades.
Com você aprendi a confiar na delicadeza, a entender que dois somam um, a aceitar um amor inteiro que acolhe minhas cicatrizes_ internas e externas.
Quando achei que sabia tudo, que conseguia proteger minha solidão, você driblou minhas defesas, controlou o dano de minhas feridas, lidou bem com meus traumas. Me fez improvisar novos sorrisos, renovar os abraços, experimentar sua doação. Descobri novas versões de mim mesma, alegrias amparadas na segurança do seu amor.
Quando tudo em mim era ausência, você se fez presença. Presença quando eu merecia ou não, quando eu pedia ou não, quando era viável ou não. Quando tudo em mim era abandono, vazio e perda você preencheu os espaços com afeto, paciência e perdão. Mas acima de tudo, você se importou.
Se importou quando eu disse que meu corpo doía e precisava descansar; se importou quando lhe contei chorando meus pesadelos, quando guardou meus segredos; se importou quando eu quis sua mão segurando a minha na sala de cirurgia _ quando sua dor e medo foram maiores que os meus_; se importou quando lhe pedi um filho; se importa ainda quando freia minha impulsividade e salva minha vida…
Se importa todos os dias quando pergunta como foi meu dia e ouve atentamente os detalhes rotineiros; quando acolhe meu cansaço, minhas duvidas, minha imaturidade.
Quando lava a louça do jantar e coloca a mesa do café da manhã; quando digo que estou com frio e aumenta a temperatura do ar condicionado; quando acaricia minhas costas enquanto deito no seu peito antes de dormir. Quando me avisa discretamente que a rúcula do almoço agora adorna meu sorriso; quando pergunta se tomei o remédio, se agendei o médico. Se importa quando leva meu carro para a revisão e me deixa tomar conta do controle remoto da TV; quando lê o que escrevo e comenta entusiasmado…
Se importa quando me permite te amar do meu jeito, nem sempre certo, nem sempre fácil…
Quando conhece meus limites_ além do que eu mesma conheço_ e me protege de mim mesma…
Quando não me deixa mesmo quando estou prestes a me deixar…
“E assim, no teu corpo eu fui chuva; … jeito bom de se encontrar!
E assim, no teu gosto eu fui chuva; … jeito bom de se deixar viver!”
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