Quando a situação vai mal, se não sei o que fazer, arrumo as malas e vou embora!

Gisele Lacorte

É muito comum escutarmos a frase: Quando uma situação ou pessoa me incomoda eu simplesmente dou as costas e vou embora!

Seria este, realmente, o melhor caminho?

Em alguns momentos de nossas vidas, não conseguimos compreender o por quê as coisas parecem estar ocorrendo de maneira tão contrária ao nosso desejo.

Muitas vezes rezamos, procuramos ser uma boa pessoa, tentamos fazer tudo “certo”, e mesmo assim, os desafios não param de aparecer.

Por que será que situações e pessoas desafiadoras aparecem em nossas vidas?

Vamos refletir um pouco sobre isso?

Já pararam para pensar que uma situação desafiadora e até enlouquecedora para determinada pessoa, pode ser muito tranquila para outra?

Certa vez escutei que pessoas ou situações desafiadoras são simplesmente aquelas com as quais ainda não aprendemos a lidar.

Você já ouviu falar em “síndrome do disco emperrado?

Essa foi a melhor expressão que encontrei, através de leituras, sobre as situações desafiadoras ou pessoas difíceis que se repetem em nossas vidas.

Sabe quando uma pessoa ou situação com a qual você não está sabendo lidar, ocorre em sua vida, e você em uma tentativa de driblar a sorte, simplesmente, se esquiva e pensa: Eu vou embora?

A expressão “síndrome do disco emperrado” explica que quando fugimos de uma situação, sem o enfrentamento devido e necessário, esta mesma situação nos acompanha e se repete na próxima experiência.

Podemos mudar de emprego, cidade, parceiro… eu por exemplo, até de país já mudei imaginando que assim resolveria determinadas situações em minha vida e adivinhem… nada aconteceu…

O fato é que podemos mudar todos os elementos de um cenário que nos desagrada, porém, se não conseguirmos modificar a essência, aquilo que realmente está contribuindo para que nos encontremos nessa situação que nos incomoda, ainda sim, voltaremos a nos deparar com situações semelhantes.

Sabe por quê? Porque não dá para fugir de nós mesmos. Podemos até fingir que fugimos, mas este autoengano, cobra um preço alto lá na frente!

Respire fundo, confie em você, levante a cabeça, acione a sua força interior e enfrente… Seu chefe, seu colega de trabalho, seu parceiro(a), seu problema financeiro, seu parente ou qualquer que seja a situação que te aflige agora.

Às vezes, ir embora, pode sim ser uma saída, mas quando o “ir embora” vira um padrão de fuga que te ajuda a evitar olhar para situações que te desagradam, é sinal de que você não está tendo forças para enfrentar de frente o problema!

O medo, a sensação de insegurança, os conflitos, os confrontos, as tristezas, as lágrimas e incômodos, também fazem parte da vida e das mais saudáveis relações.

A ideia de que tudo estará sempre às mil maravilhas é uma ideia que nos prende a infância e que cria uma visão superficial e inocente da vida!

As vezes, as coisas não saem como planejamos, as pessoas não agem como esperamos, as coisas não acontecem de acordo com as nossas expectativas, e mesmo assim eu te digo: Fique, e olhe para o que está acontecendo!
Observe qual é o papel do outro, mas principalmente se ocupe de você!

Pergunte-se, questione-se!

Como eu posso estar contribuindo para que estas situações desagradáveis voltem a acontecer desta forma?

Qual é a minha responsabilidade na situação desagradável que estou vivendo?

Por que estou atraindo este padrão de pessoa ou relacionamentos em minha vida?

E depois de refletir, antes de ir embora, se posicione, converse, negocie, avalie, experimente outras opções.

Faça diferente desta vez!

Enquanto ficamos à espera de uma mudança do outro e do mundo, ficamos em uma posição vulnerável e incerta, já que não podemos garantir que, o outro ou o mundo, mudem de acordo com a nossa vontade ou desejo.

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Gosto da expressão “ficar para sair”, não gosto de quem diz: vou embora e pronto. As vezes precisamos de mais um tempo em um determinado emprego, em uma determinada relação, viver mais um pouco de uma determinada experiência incomoda, para que possamos ativar dentro de nós, os recursos internos de aprendizado, desta forma, quando resolvemos sair, depois de tentar o suficiente, podemos sair de vez, mudar de fase e passar de nível.

Pode ser que a chave que abre a porta de saída para uma situação que você não deseja mais viver, esteja atrás do incomodo que você simplesmente não quer viver.

Mas não se demore! Tente até que se esgote as expectativas, até que você sinta que tudo foi feito, e se perceber que já aprendeu tudo que precisava nesse processo, acolha o aprendizado e vá!

Posso afirmar que depois que aprendi tudo isso, ainda vou embora sim, mas vou só depois de ter absorvido todo o conhecimento e sabedoria que a situação me apresentou.

Só depois de aprender tudinho… E de posse da minha nova armadura, saio confiante de que, da próxima vez que algo de natureza parecida se apresentar, conseguirei definitivamente sair, ou até mesmo, evitar locais ou pessoas que já vivi e que não gostei, porque… de verdade… essa lição já terei aprendido!

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Gisele Lacorte
Psicóloga clínica, terapeuta corporal, consteladora familiar e orientadora profissional. Escritora e facilitadora de workshops, palestras e grupos terapêuticos que visam auxiliar as pessoas a reconhecer e ativar sua potencia de realização e alegria de viver através da reconexão com a sua verdadeira essência, do profundo cuidado com o sentir e com o poder de expressar suas emoções mais genuínas. Desenvolve trabalhos personalizados para grupos e empresas.