Desculpa, homens, mas, preciso dizer que todos são tolos quando pensam que uma mulher é de toda frágil. Não posso contar nossos segredos e artimanhas, mas, posso dizer, que muitas vezes nos fazemos de frágeis justamente pra que vocês não se sintam tão mal por isso.

Aquela vasilha no alto do armário que a gente não consegue pegar, a tampa do vidro de azeitonas que não conseguimos abrir e o garçom que não podemos chamar (só pra deixar você se sentir mais másculo em sua posição de homem), a maioria caso pensado, sabia?

Daí eu me trabalho nesse teatro durante meses, anos, até você vir e me arrebentar com uma primeira desculpa: “tive de trabalhar até mais tarde…” Depois vem uma bofetada atrás da outra quando cheiro tua roupa e sinto outro perfume, quando te noto estranho e quando te percebo falando às escondidas ao celular. Um processo lento e que você, lá no fundo de sua inocência masculina, fica achando que não sei de nada, que não percebo nada, que minha rotina de dona de casa, mãe e esposa me toma tempo demais e me cega para todo o resto.

Homens, vocês são meros bobos se pensam que não notamos quando vocês mudam o tom de voz ou quando aparecem com presentes pra gente sem motivo. Acha mesmo que não percebemos que conheceram outra pessoa e que estão envolvidos com outra pessoa só porque não conseguimos abrir o pote de azeitonas?

Resultado: o que suspeitávamos se confirma e a mulher frágil que vocês acreditavam que existia em nós se esvai completamente junto de suas roupas jogadas pela janela de casa.

Posso parecer frágil, mas me transformo quando ferida!

Nós nos transformamos quando estamos feridas, deixamos renascer de dentro de nós uma personagem mitológica, guerreira, capaz de defender seu ninho, seu mundo, seu coração dilacerado. Ah, se vocês soubessem como somos belas quando amadas e como somos feras quando machucadas…!

É tão fácil revirar seu mundo, te tirar do sério, te fazer perder o controle e fazer todo seu mundo cair por terra, homem!… Ah, como é fácil!

Nos tornamos poderosas quando machucadas e muitas vezes até cruéis. Mas, mesmo que nossa crueldade não seja através de uma vingança proposital a você por ter nos feito sofrer, é uma vingança que chega esmigalhando seu orgulho, sua idiotice por ver que somos capazes de refazer nossas vidas, reerguer nossos sonhos e edifícios e continuar a caminhada com uma bela escova no cabelo e enormes cílios postiços!

Mulheres, eu sei o quanto dói uma mentira, o quanto dói ser enganada, feita de boba e passada pra trás. Eu sei! Mas sei muito mais que essa tal fragilidade que usamos por tempos acreditando que estávamos sendo legais com a criatura-homem não existe da forma como demonstramos. Choramos? Mas é claro que sim! Queremos colo? Mas é muiiiiito colo que a gente quer! Amamos carinho e atenção? Aos montes!! Mas sabemos subir em nosso salto e enfrentar a multidão, assim, depois que o coração é despedaçado, quando somos traídas e trituradas.

É o outro lado da mulher, lado inclusive, que muita gente só conhece depois que faz uma de nós sofrer.








Escritora, blogueira, amante da natureza, animais, boa música, pessoas e boas conversas. Foi morar no interior para vasculhar o seu próprio interior. Gosta de artes, da beleza que há em tudo e de palavras, assim como da forma que são usadas. Escreve por vocação, por amor e por prazer. Publicou de forma independente dois livros: “Do quê é feito o amor?” contos e crônicas e o mais espiritualizado “O Eterno que Há” descrevendo o quão próximos estão a dor e o amor. Atualmente possui um sebo e livraria na cidade onde escolheu viver por não aguentar ficar longe dos livros, assim como é colunista de assuntos comportamentais em prestigiados sites por não controlar sua paixão por escrever e por querer, de alguma forma, estar mais perto das pessoas e de seus dilemas pessoais. Em 2017 lançará seu terceiro livro “Apaixonada aos 40” que promete sacudir a vida das mulheres.