Por que não tenho sorte no amor?

Luiz Mateus Pacheco

Algumas pessoas simplesmente parecem não ter sorte no amor, já percebeu?

Como se andassem em círculos invisíveis, suas vidas são fadadas a um ciclo de eterno insucesso amoroso, como o enredo de uma trama teatral que não cessa de reprisar.

Assim, sempre se encontra o mesmo tipo de parceiro. Aquele que trai, abandona, que é abusivo ou que simplesmente não leva a relação a sério. Pode ser que um problema de disputa pelo poder sempre se repita, mesmo que leve algum tempo.

Talvez você já tenha passado por isso – ou esteja passando ainda agora – e entenda muito bem como é viver nesse círculo. “Agora vai ser tudo diferente”, você fala obstinadamente para si mesmo(a), mas dá a volta no mundo inteiro para, surpreendentemente, parar no mesmo lugar. É como se uma parte secreta do seu Eu conspirasse contra si mesmo.

Mas por que isso acontece? Por que, mesmo se esforçando para mudar, tudo parece acontecer novamente? Seria o resultado de uma terrível maldição?

Me acompanhe numa pequena estória:

“Um famoso cantor se preparava para um grandioso espetáculo. Em seu repertório, tinha a certeza de que novos grandes sucessos iriam estourar.

Ele tocou, entusiasmado, a primeira música. A plateia ardeu em aplausos.

— Bis! Bis! Bis! — gritaram eufóricos.

Feliz com seu sucesso, ele repetiu aquela música.

— Bis! Bis! Bis! — pediram novamente. Sem entender muito bem, o cantor decidiu conceder o pedido de seus fãs. Mas, quando terminou, foi surpreendido com um novo pedido. Depois de mais algumas repetições, cansado e com com a certeza de que tinha tantas outras boas músicas para cantar, ele questionou a plateia em voz alta sobre o porquê de tanta repetição.

— Vamos pedir que repita até que você aprenda a cantar! — explicou uma senhora na fila da frente.”
Da mesma forma, a vida nos convoca a repetir determinados temas. Nossas mentes continuam, inoportunamente, a nos pregar essa peça. É como se pedisse por uma nova chance, um novo começo da mesma história, para que possa fazer certo e, “por acaso”, entramos no mesmo enredo. Mas este é um acaso que não é tão aleatório assim.

Por isso, costumamos apelidar as pessoas que não tem sorte no amor com apelidos como “dedo podre” e que refletem o fato de que houve uma escolha, ainda que inconsciente.

Escolhemos as nossas histórias a dedo.

Enquanto determinados temas permanecerem no inconsciente, continuaremos a ser controlados por ele, da mesma forma que, na história, o cantor segue a risca os pedidos da plateia até que resolve questionar.

O que falta não é força e nem sorte, mas consciência de um conflito oculto.

A chave para a libertação jaz dentro de nós mesmos, guardada num porão escuro e você pode acessá-la. Para isso, é preciso investir em autoconhecimento: um caminho que pode parecer difícil e desconfortável no começo, mas que tem o poder de abrir as portas para um tipo muito mais desprendido de felicidade.

Na mente, esconder a sujeira debaixo do tapete jamais é uma solução, já que você pode constantemente tropeçar nela sem notar. Ao trilhar um processo de autoconhecimento, você abre as gavetas da mente e revela seus conteúdos ocultos e, então, pode parar de ser perseguido por eles.

Todos nós podemos amar e ser amados e temos o potencial para escrever novas e melhores histórias de nós mesmos, reinventando nossa própria existência. Podemos apenas precisar de alguma ajuda. Vamos lá?

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Luiz Mateus Pacheco
Gaúcho, graduado em psicologia e estudante apaixonado das relações humanas e da pluralidade do amor. Acredita que este sentimento é sempre saudável quando é uma via de mão dupla e mútuo crescimento. Nas horas vagas, dedica-se a escrever sobre o amor e suas complicações na página Relações Perigosas no Facebook.

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