Pare de colocar a culpa da sua infelicidade nos outros!

Marian Koshiba

Pare de colocar a culpa da sua infelicidade nos outros! Há algo que as frases clichês tem de razão de ser. Elas muitas vezes trazem lições primordiais, elementares, que podem parecer patéticas de tão simples e óbvias, mas que escondem uma profundidade muitas vezes não captada sob um olhar desatento.

Uma delas é de que a felicidade vem de dentro, depende de nós mesmos, que felicidade é escolha. Eu cheguei a pensar que isso era uma grande bobagem, que felicidade tem muitos fatores externos, e que se felicidade fosse escolha mesmo, todo mundo seria feliz e pronto.

Como qualquer tentativa de generalização, com certeza essas afirmações passam por exceções e reservas diante de certas circunstâncias. Mas, foquemos na regra.

Depois de muito desencontro meu com essas frases, hoje eu percebo que muitas das vezes, sim, a felicidade é uma escolha.

Primeiro, porque felicidade é algo que muitas vezes nos exigirá coragem pra ir buscar, para encontrar, para construir.

Felicidade muitas vezes exigirá correr riscos, apostar na sorte, arriscar tudo, ter fé no intangível.

Felicidade, algumas vezes, exigirá esforços incontáveis, vencer medos, crenças limitantes, obstáculos financeiros, físicos, emocionais, psicológicos, fáticos.

Felicidade, algumas vezes, é ponto de chegada de um caminho cheio de falhas e infortúnios. E cabe a nós escolhermos sair de nossas tocas, nossas zonas de conforto, nossos temores mais profundos, nossas crenças limites, e agir, buscar, batalhar, construir. E isso exige uma boa dose de coragem e de disposição, em grande parte das situações.

Quantas pessoas eu vejo assumindo o papel de vítima fatal do universo, sem qualquer razão fática para tanto, gastando tempo se concentrando em angariar provas de que o mundo é muito cruel com elas, vendo os demais como grandes afortunados na loteria da vida, enquanto, elas, são as únicas não contempladas no sorteio.

Um gasto de energia tão grande, num ciclo sem saída que só acumula frustração, insatisfação e inveja, um percurso que não constrói nada. Energia essa, aliás, que podia ser gasta de forma muito mais frutífera, no caminho da realização efetiva de uma felicidade que só cabe a si mesmo conquistar.

Felicidade também é uma escolha, pois várias ocasiões ficamos revolvendo em lamaçais de desgosto, colocando lupa em cada micro motivo para sermos infelizes, caçando coisas para elencar em listinhas do que nos falta, resmungando sobre pequenos dissabores.

Quem nunca fez isso? Ver a vida com um óculos nublado, focar na escassez, quando um simples enfoque diverso faria perceber, ao contrário, todas as mil razões para ser grato, todas as pequenas e grandes sortes da vida, a abundância que flui de tantas esferas de nossa existência.

E em ambos os sentidos, a conclusão só pode ser mesmo que a felicidade depende só de nós mesmos, e que ela está dentro de nós.

Analisando grande parte das coisas de sua vida, passadas, presentes e futuras, você chegará quase sempre na conclusão de que a felicidade cabe e depende exclusivamente de você.

Seja da sua bravura, seja do seu esforço, seja da sua resiliência, seja da sua mudança de ótica para a própria existência, os fatores externos muitas vezes são apenas o tempero que torna a receita toda mais complexa, mas que cabe a você (e somente a você) arregaçar as mangas e dar um jeito de concluir a receita.

Então, primeiro passo para ser feliz: seja grato. Felicidade é coisa que se sente mais (e se atrai mais) quanto mais consciente você é dos motivos que você já possui para ser feliz e ter gratidão.

Parar sempre para refletir nas razões que já se tem para se sentir afortunado é uma forma instantânea de felicidade, além de passar uma mensagem energética ao universo de que se valoriza o que se tem de precioso.

Segundo e importantíssimo passo: tome para si a inteira responsabilidade pela sua felicidade.

Assuma o comando desse barco, porque ainda que o mar lá fora várias vezes seja revolto e tempestuoso, é melhor ter que enfrentá-lo segurando o timão firme com suas próprias mãos (ainda que meio sem muita habilidade), do que deixá-lo à mercê de comandantes desconhecidos, ou mesmo navegando a esmo.

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Marian Koshiba
Formada em Direito, escritora por necessidade de alma, cantora e compositora por paixão visceral. Só sabe viver se for refletindo sobre tudo, sentindo o mundo à flor da pele. Quer transmitir tudo que apreende (e aprende) por todas as formas criativas possíveis.