Pandemia fez muita gente perceber que já estava doente há muito tempo!

Fabiano de Abreu
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Pandemia fez muita gente perceber que já estava doente há muito tempo!

A covid-19 assolou o mundo e nos levou a repensar a vida, as nossas escolhas, e como estávamos utilizando o nosso próprio tempo.

A parada forçada de toda uma sociedade habituada a viver num ritmo frenético, onde a produção não podia desacelerar e a economia não podia estagnar, nos fez compreender, mesmo que por apenas um de tempo, que existem outras formas de vida possíveis.

A doença nos fez perceber que vivemos numa sociedade cronicamente doente. Que fazemos parte de uma sociedade que nos anula e nos faz viver em função das regras sociais de consumo que não necessariamente nos fazem felizes.

Estávamos doentes emocionalmente, nossa mente estava nos levando a um cansaço crônico pela falta de tempo, pela falta de conexões verdadeiras, pela falta de atividades que nos fizessem sentir verdadeiramente felizes e realizados.

A covid-19 nos levou a fazer um balanço pessoal em todas as áreas de nossa vida, levou até os mais ignorantes a repensarem o que estavam fazendo com a própria vida. A palavra “propósito”, nunca foi tão discutida e pesquisada. Milhares de pessoas começaram a se perguntar: Qual é o meu propósito de vida?

Fomos forçados a desenvolver a criatividade na criação de novas metas e a nos moldar moderando as expectativas ao momento atual.

A busca pela felicidade se tornou frenética, e passamos a buscar funções sociais que se encaixassem na nossa personalidade, desejos e sonhos.

Percebemos que, nós humanos não podemos mais agir como se fossemos máquinas, embora muitos, tão acostumados a viverem no automático, desejaram com todas as suas forças que a vida voltasse ao normal, para que pudessem de novo viver como um robô, sem tempo para nada.

O que muitos não compreenderam é que este isolamento social foi necessário para que pudéssemos nos aproximar do nosso mais puro ser e aprender a lidar com o que estava a nos matar aos poucos.

Iniciamos um novo ciclo, e ele pede para que sejamos mais equilibrados, que aprendamos a controlar o nosso íntimo para que possamos seguir por caminhos melhores, que nos satisfaçam pessoalmente e nos realize emocionalmente.

Só a doença pode nos mostrar o caminho da cura.

Todos nos sentimos doentes, mesmo aqueles que não foram infectados pelo vírus, doentes pois conseguimos olhar para disfunções sociais causadas em grande parte pelo avanço tecnológico e pelo tanto de coisas que “precisamos” fazer em um único dia.

Nosso organismo tem um DNA programado, nosso código genético tem determinações e por dezenas de anos nós burlamos essas pausas necessárias que todos precisamos porque compreendíamos que deveríamos seguir crescendo freneticamente e pagamos o preço por isso.

A doença nos trouxe o lado instintivo de forma diferente para nos alertar do perigo. Não foi o suficiente para nos “consertar” mas mostrou o que há de melhor e pior em nós.

E esse escancarar das mazelas humanas se fez necessário para que pudéssemos, juntos, olhar para frente com uma nova consciência, para que nos movêssemos em busca da inteligência emocional, e para que buscássemos novas formas de lidar com os desafios que a vida nos traz.

Só quando conscientemente o individuo entende que está doente, não só fisicamente, mas emocionalmente, é possível buscar a cura. Enquanto não se percebe que está doente, não há como se sentir feliz, pois a cura só chega a quem se dedica em buscar meios de se curar.

Quem entendeu o recado se moveu em direção do novo com entusiasmo, mesmo com medo, e conquistou grandes vitórias em 2020, mas quem paralizou e deixou o medo tomar conta, quem reclamou de tudo, quem se lamentou e se entregou ao desânimo, perdeu 365 dias e adoeceu ainda mais.

É uma escolha adoecer ou se curar. Mesmo que muitos pensem que isso não é verdade.

Quando escolhemos brigar com a realidade espalhamos dor e sofrimento por onde passamos, mas quando escolhemos aceitar e agir com o que temos, nós encontramos a cura para diversos males existentes em nossa sociedade, família, e em nós mesmos.

Que possamos escolher agir positivamente nesse novo ciclo! Essa escolha beneficiará a todos nós!

*Imagem: Jonathan Nackstrand – Imagens AFP / Getty

*texto de Fabiano de Abreu – Doutor e Mestre em Psicologia da Saúde pela Université Libre des Sciences de l’Homme de Paris; Doutor e Mestre em Ciências da Saúde na área de Psicologia e Neurociência pela Emil Brunner World University;Mestre em psicanálise pelo Instituto e Faculdade Gaio,Unesco; Pós-Graduação em Neuropsicologia pela Cognos de Portugal;Três Pós-Graduações em neurociência,cognitiva, infantil, aprendizagem pela Faveni; Especialização em propriedade elétrica dos Neurônios em Harvard;Especialista em Nutrição Clínica pela TrainingHouse de Portugal.Neurocientista, Neuropsicólogo,Psicólogo,Psicanalista, Jornalista e Filósofo integrante da SPN – Sociedade Portuguesa de Neurociências – 814, da SBNEC – Sociedade Brasileira de Neurociências e Comportamento – 6028488 e da FENS – Federation of European Neuroscience Societies-PT30079.
E-mail: deabreu.fabiano@gmail.com

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Fabiano de Abreu
Fabiano de Abreu Rodrigues é psicanalista clínico, jornalista, empresário, escritor, filósofo, poeta e personal branding luso-brasileiro. Proprietário da agência de comunicação e mídia social MF Press Global, é também um correspondente e colaborador de várias revistas, sites de notícias e jornais de grande repercussão nacional e internacional. Atualmente detém o prêmio do jornalista que mais criou personagens na história da imprensa brasileira e internacional, reconhecido por grandes nomes do jornalismo em diversos países. Como filósofo criou um novo conceito que chamou de poemas-filosóficos para escolas do governo de Minas Gerais no Brasil. Lançou o livro ‘Viver Pode Não Ser Tão Ruim’ no Brasil, Angola, Espanha e Portugal.