Os opostos se atraem; os dispostos se amam

Vou contar para vocês mais um “causo” meu, até porque o melhor exemplo é o próprio e, mesmo que seja particular, sei que muita gente se identifica com ele.

Juliana Nishiyama

Como já relatei em alguns outros posts sobre minha vida, minha relação com meus pais e sobre como me desenvolvo a cada dia desde esse olhar interno, hoje vou aprofundar nos relacionamentos amorosos que, também para mim, foram muito desafiadores.

Depois de muito me dedicar a essa jornada, que é a do autoconhecimento, um trabalho que é para sempre e, muitas vezes, a gente começa a fazê-lo meio tarde, pois a criança não aprende a se conhecer, posso dizer com propriedade a vocês que toda relação amorosa leva à relação da criança interior geralmente com a mãe e à repetição de vivências relacionais das mulheres da família.

E eu, muito observadora desses processos delas, sempre sentia que queria fazer diferente, queria uma relação de parceria recíproca, crescimento e evolução mútuos. O fato é que trazemos crenças na memória celular e as vivências delas nos mantêm em padrões que acreditamos serem os certos.

Mas não é tão simples sair da fidelidade ao nosso sistema familiar. E eu percebia que estava repetindo, repetindo e repetindo inconscientemente muitos desses padrões, ainda que não fizessem sentido nenhum para mim, mas não sabia como sair deles.

Tive um casamento desajustado e desafinizado, baseado em basicamente “dar e não receber”, bem desses à moda antiga, em que a mulher é a Amélia e o homem é apenas aquele que provê.

E onde estava o equilíbrio nisso?

Claro que não havia equilíbrio. além dos nossos objetivos, valores e princípios não serem parecidos, vivíamos uma relação em que a imaturidade imperava, em que havia muita dualidade – éramos individualistas e cada um apenas exercia o papel que cabia à “sociedade”.

Optei pela separação para poder fazer jus àquilo em que eu acreditava com todas as forças da minha alma: uma relação livre de rótulos e estigmas sociais, recíproca e saudável.

Mas, com esse “fim”, ainda não me dava conta das feridas e memórias que estavam ali, pulsantes no meu interior, com crenças e padrões que obviamente eu repetiria por não olhar de fato para as causas e gatilhos vívidos e prontos para serem expostos novamente.

Comecei uma nova relação e… paaah! Estavam lá todas as desordens e conflitos novamente, e ainda mais intensos, porque em caso de amores, já sabemos que o que não aprendemos, repetimos… e o Universo é tão sábio que não quer você perdendo vida aqui na Terra, pois Deus o quer crescido, maduro, curado e feliz.

E vamos de autotrabalho. Mesmo estando muito fragilizada, eu sabia que em mim estavam todas as respostas para o meu sofrimento. E eis que eu não sabia me amar. Deus do céu! E achava que sabia.

Amor-próprio não é se olhar no espelho e se achar linda por fora, isso é autoestima. Amor-próprio é diferente de autoestima.

Amar-se é ouvir-se e atender-se, respeitar-se e dar-se conta de que é você que está se permitindo ser ferida, porque algo ali está aberto ainda, aceitando aquele “dar e não receber”.

Amor-próprio é olhar com verdade tudo o que o outro incita de pior em você e compreender, aceitar para integrar, não para rejeitar, repelir. É você saber que precisa acolher suas sombras, porque fazem parte de você, da totalidade que você é. Você consegue aceitar que sente ciúme, inveja, raiva, ódio, medo, insegurança, carência.

Amor-próprio é querer ver com clareza todas essas trevas para trazê-las à luz, é sair da negação, porque só assim você chega à plenitude e consegue dar passos em direção à própria evolução. Amor-próprio é entender que você não precisa mais repetir situações conhecidas e de seus antepassados, mas que você pode sim fazer diferente, do seu jeito, do jeito que faz sentido para você, para a particularidade do seu ser.

Amor-próprio requer um cuidado extremo da sua criança interior para que você passe a dar a ela toda nutrição, tudo aquilo que talvez você não tenha recebido na infância. É observar onde você ainda é ferível, traível, abusável, enganável e também, com toda honestidade, onde você faz isso com o outro.

Amar-se é conseguir dar-se tudo aquilo que você espera do outro, porque aqui quem ainda espera é a criança que não foi atendida e, na relação, fica nessa incessante busca do que não recebeu dos pais.

Amar a si mesmo implica coragem de deixar todo aquele modelo que você teve de amor até hoje para trás e tomar posse do que é importante para a sua verdade.

Eu entendi que o amor não machuca.

O que dói é você saber o que quer e, mesmo assim, achar que precisa querer igual a todo mundo, ao que lhe ensinaram como certo dentro de uma relação.

Amar-se verdadeiramente dá um trabalhinho, sabe? É preciso muita disposição para se encarar, olhar para tudo aquilo que está dissonante e desordenado na sua vida, e trazê-lo para si mesmo, para a autorresponsabilidade.

Quando você aprende a se amar, começa a colocar limites, a reconhecer o que é o real e discernir o que é deal. As ilusões vão ficando naqueles modelos que você tinha e você passa a se conscientizar de que não existe príncipe nem princesa.

Você também entende que o amor é para quem está disposto a se olhar e se trabalhar para deixar de projetar suas feridas no outro. Aprende que você não precisa mais viver naquele padrão de amor e dor, mas que você pode ensinar e aprender dentro de uma relação, sem sofrimento, e não insiste mais em quem não quer ficar, porque afinal agora você sabe a diferença entre amor e apego.

Você aprende também que, por amor a você, algumas pessoas precisam partir…

Não porque você não as ama, mas porque você merece alguém que esteja aberto a todas as suas vulnerabilidades, que o ouça, ampare e acolha quando nem você mesmo consegue fazer isso por si. Alguém que o expanda, amplie, multiplique, porque reconhece a sua força e quer que você não se esqueça dela, alguém que esteja maduro o suficiente para sair da relação infantil, sem se desconectar da criança interior, porque você merece alguém que se identifique com essa nova relação que você tem com você, e fique com ela.

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Juliana Nishiyama
Juliana é psicoterapeuta quântica, holística e taróloga, especializada em curas emocionais, desenvolvimento espiritual e humano e mudança pessoal. Iniciou sua missão de alma em 2012 quando descobriu que seu propósito era auxiliar pessoas a descobrirem e acessarem seu próprio poder, transformando suas realidades e criando-as da melhor forma possível. Através do Thetahealing®, Access Consciousness, EFT, Ho’oponopono, Tarologia Terapêutica e diversas outras técnicas, segue sendo um canal de transformações, auxiliando milhares de pessoas a desenvolverem a melhor versão de si mesmas, incentivando ao amor, autoconhecimento e expansão da consciência.