Richard Thaler é um pesquisador fascinante. Ele definiu sua pujante carreira na tentativa de responder a uma simples pergunta: por que o ser humano não age de maneira racional como prevê a economia clássica e o Direito?
Seu experimento mais conhecido e comentado é genial pelo seu poder didático e simplicidade. Vamos lá, hoje você vai ser sujeito de pesquisa:
A Pergunta…
“O que você prefere:
1. Uma banana daqui a um ano;
ou
2. Duas bananas daqui a um ano e um dia?”
Se você for como a esmagadora maioria das pessoas, não precisou nem pensar para responder e escolheu diretamente a segunda. Um dia a mais para ganhar o dobro? Quem não escolheria assim?
O Paradoxo!
E então vem o paradoxo. Vamos lá:
O que você prefere:
1. Uma banana agora;
ou
2. Duas bananas daqui a 24 horas?
Percebeu a diferença? Boa parte dos participantes (e possivelmente você também) optaria por uma banana agora em vez de duas amanhã. Ocorre que, para a economia clássica, os dois casos são exatamente iguais: uma diferença de 24 horas para receber o dobro do prêmio. Por que será que nos parecem tão diferentes?
É aí que entra a desvalorização pelo atraso, um dos temas quentes de pesquisa no mundo da psicologia. Trata-se de uma distorção cognitiva que faz com que você valorize mais o momento presente do que o momento futuro, preferindo tomar aquele chocolate quente fugindo do regime ou assistir a um jogo de futebol Itália em vez de terminar a postagem do seu blog (culpado).
Essa distorção parece estar por trás de grande parte dos problemas da modernidade, explicando porque não cuidamos tão bem da saúde quanto gostaríamos; porque não economizamos tanto dinheiro quanto deveríamos e porque raios somos tão procrastinadores.
Admita: não seria nada fácil estar no lugar daquelas crianças.
As crianças que participaram do experimento original do marshmallow foram acompanhadas durante anos num estudo que avaliou suas relações pessoais, desempenho acadêmico e profissional, nível de renda e bem estar.
Advinha só quais foram as mais bem sucedidas na vida?
É aqui que entra o uso inteligente dos achados em psicologia: cabe a nós utilizarmos as técnicas interessantes e muitas vezes contraintuitivas que a vida e blogs assim nos oferecem. Temos que nos tornar verdadeiros arquitetos das nossas escolhas, planejando o ambiente e usando nossas distorções cognitivas e neurobiologia a nosso favor.
Você sabe quais foram as crianças mais bem sucedidas no experimento do Marshmallow? Aquelas que se distraíram fazendo outras coisas; que não ficaram o tempo todo olhando para a tentação; que olharam para o marshmallow com outra lente, buscando examinar sua superfície e suas cores, sem encará-lo como comida.
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