O jeito mais fácil de afastar uma pessoa da sua vida hoje é dizendo a ela que você tem interesse em ficar com ela. É irônico, eu sei, mas é real.

Murilo Leal

O jeito mais fácil de afastar uma pessoa da sua vida hoje é dizendo a ela que você tem interesse em ficar com ela. É irônico, eu sei, mas é real.

O que ninguém te contou sobre sua percepção equivocada do amor

Experimente conhecer uma pessoa, sair com ela e depois dizer o quanto tem gostado de conhecê-la, que sua companhia sempre o deixa feliz, que gosta do jeito com que ela joga o cabelo para trás enquanto conversa, que lembra-se dela cada vez que come uma nova refeição, que acorda e pensa no seu sorriso, que diariamente sente-se bem ao lado dela e que gostaria de passar mais tempo com ela se fosse possível. Em alguns casos, é tiro fatal. Elas somem.

Demonstrar amor tornou-se o jeito mais comum de jogar alguém para fora da sua vida

Quando paramos para olhar a geração dos nossos avós, vemos que eles consideravam o beijo praticamente um pedido de casamento, mas hoje, perguntar o nome do outro é só no final e se sobrar um tempo. Não faço a linha do romântico nostálgico, eu sei que tudo mudou.

Ainda assim, é impossível não notar que andar de mãos dadas, naquela época, era considerado uma declaração pública de união, hoje, é artigo de luxo mesmo entre aqueles que já se conhecem bem.

Temos medo dos dedos entrelaçados, do cafuné gratuito, da ligação inesperada no meio do dia, do “passei aqui só para te dar um beijinho rápido”. Que nada! A gente não consegue mais amar dessa forma.

Medo de amar é real. Descobri que já existe até um nome para isso: Filofobia. É considerado um dos transtornos de ansiedade e resume-se naquele medo irracional de apaixonar-se por alguém ou aquele medinho do que o amor pode trazer consigo. Somos talvez a geração mais carente de todas, mas a mais covarde que já existiu para o amor

O problema de carregar pesadas bagagens antigas

Eu até entendo porque vivemos assim, desconfiados do amor natural. Temos sobre nós, nossas bagagens emocionais que nos levam para um lugar de desconfiança.

Todo mundo conhece pessoas que sofreram muito com relacionamentos abusivos ou que tiveram de enfrentar convívios turbulentos no passado. O amor moderno tornou-se uma arma contra a confiança. Eis aí a razão do medo.

Este choque paralisante pode ter origem pelo receio de ser rejeitado, pelo trauma de uma expectativa não alcançada ou pelo simples desejo de não perder o controle das emoções. Isso tudo está nos deixando doentes e tem nos transformado em pessoas acostumadas a manter uma distância emocional considerável diante das possibilidades reais de amor.

Quando passamos a projetar paranoias sem enfrentá-las, trememos diante da possibilidade de uma amor arrebatador. Nos acostumamos com a ideia de ter o pavor de se misturar a alguém,alimentamos por meio da cultura a fobia de unir-se, domesticamos o horror de depender de outro, preservamos o terror de perder o controle dos sentimentos.

Adotamos de maneira aceitável o pânico de privar-se de si, vivemos constantemente o temor que nossa cultura nos deixou sobre a irrealidade da vida a dois. Perdemos o privilégio de tomar sustos positivos diante do amor.

O maior perigo que corremos é de nos deixar levar pela ideia de que todos querem apenas nos usar. Isso não é verdade. Alimentar-se desse tipo de ideia fará com que sempre tenhamos medo de alguém nos deixar e ir embora, construiremos assim, uma fortaleza de pensamento enorme para a melhor das desculpas para fugir do comprometimento.

Amar é foda, mas ainda é possível

Um bom modo de tentar amenizar essas ideias equivocadas sobre os relacionamentos é evitar comparações como um amor passado e saber que cada história se reserva a cada indivíduo, ter sempre em mente que não existe perfeição e que precisará trabalhar mesmo a sua confiança em outras pessoas.

É necessário não deixar os desapontamentos serem capazes de excluir contato com uma nova realidade, o medo de estar perdido diante de um sentimento é bastante comum, ninguém nunca vai saber exatamente o que quer viver até que experiencie uma realidade.

É besteira ter um medo antecipado de perder a liberdade, de não ter a imunidade alta para precauções ou desconfiar que o amor sempre lhe trará grandes prejuízos. Não deixe com que a ideia de que ao estar unido com alguém você terá a obrigação de privar-se da liberdade, da independência ou dos seus desejos pessoais.

Deixar-se guiar pela imagem do ideal ou nortear um futuro a partir de uma realidade já vivida é o que nos deixará imóveis.

Somos afetados pelo imaginário formado pela cultura, como músicas, livros e filmes.

A imagem coletiva de um amor fracassado recorrente é o principal responsável pela formação de crenças limitantes em nós.

Aprenda a controlar sua timidez diante do novo, disponha-se a suspeitar da incerteza convencional, fuja da ideia de complexidade e tenha em mente que sua ansiedade diante de contatos é comum, essa é a graça da coisa. Pule nesse penhasco.

Não tenha medo da sua imperfeição física. Trabalhe melhor consigo a ideia de que você pode sim sempre estar melhor consigo, de que pode aprender a se cuidar mais, a ver-se com mais empatia, que pode mostrar sua realidade exterior sim e que, às vezes, precisará cuidar dela também.

Terá que percebe-se melhor. Não deixe com que sua mente te diga que você é sua roupa, seu carro, sua carreira, seu corpo, sua doença ou as palavras rudes que o disseram.

Meu último conselho para você que tem medo de apaixonar-se é:

Não lute para manter-se isento deste sentimento de amar. Não deixe a sua percepção equivocada da realidade, sua ideia criada sobre amores fracassados definir o futuro do seu potencial de amor. Ame sem medo de errar, até que erre e tenha que recomeçar sempre.

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Murilo Leal
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