Autores

O inverso do amor, mais que o ódio, é a indiferença

Muito se alerta, hoje, para a necessidade de se combater o ódio, no sentido de que o mundo carece de mais amor, de solidariedade, de olhares compreensivos em relação aos excluídos, aos miseráveis, às minorias. Atos terroristas e, numa proporção menor, atitudes preconceituosas e excludentes no cotidiano das sociedades acabam culminando em violência e tristeza.

No entanto, há que se atentar, da mesma forma, para os danos que a indiferença também traz, tanto no aspecto das relações humanas, quanto no âmbito da convivência como um todo. Embora silenciosamente, o “tanto faz” acaba por se tornar conivente com a ruína das relações interpessoais, com a propagação do ódio e das injustiças que permeiam o tecido social em todos os níveis.

O ódio enfrenta muitas frentes de combate, seja através de preceitos religiosos, de artigos, de campanhas solidárias, seja na escola, em casa, na rua. Frequentemente nos deparamos com filmes, reportagens e músicas, por exemplo, que pregam a necessidade de se prevalecer o amor sobre o ódio. A maioria de nós, inclusive, já extinguiu a expressão “eu odeio” de nosso vocabulário.

Por outro lado, a indiferença raramente é lembrada, mesmo que seja uma das piores atitudes que poderemos ter em relação ao que de ruim nos circunda. Obviamente, sermos indiferentes a quem nos queira atazanar, a quem fofoca, a quem tenta nos maldizer é extremamente benéfico à nossa saúde física e mental. Porém, sermos indiferentes às mazelas que assolam o meio em que vivemos é tão nocivo quanto o ódio.

Da mesma forma, tornarmos invisíveis as pessoas que caminham ao nosso lado, que sempre acreditaram em nós, com devoção sincera e amor de verdade, é por demais cruel, pois a ingratidão afasta de nós exatamente quem deveria caminhar junto, sempre, todos os dias de nossas vidas. Assim, o “tanto faz” nos esvaziará de amor, tanto daquele que brota aqui dentro, quanto daquele que colhemos junto a quem nos quer bem.

O perigo da indiferença, portanto, é fazer com que aquilo que deveria causar revolta, indignação e atitude combativa se torne banal, normal. Além disso, deixar de retornar afetividade a quem nos ama fará com que expulsemos de nossa convivência aqueles capazes de tornar nossa vida melhor e mais digna. A indiferença nos torna imunes à indignação frente ao que deve ser mudado e às trocas de afetividade, à partilha amorosa que tranquiliza a nossa alma.

O ódio pode até ser combatido, alcançado e neutralizado pelo amor, mas a indiferença é por demais vazia, inócua e sem peso, ou seja, nunca chegará a ser tocada pela magnitude curativa de qualquer sentimento amoroso. O amor não chegará perto desse vazio. E isso é o mais perigoso, porque o “tanto faz” é silencioso e silencia as nossas maiores qualidades, dentre elas, a nossa capacidade de compartilhar amor verdadeiro.

Prof. Marcel Camargo

Graduado em Letras e Mestre em "História, Filosofia e Educação" pela Unicamp/SP, atua como Supervisor de Ensino e como Professor Universitário e de Educação Básica. É apaixonado por leituras, filmes, músicas, chocolate e pela família.

Recent Posts

ANTES 12 anos, AGORA 85 anos. Qual desses homens é o menino de hoje: 1, 2, 3 ou 4?

Envelhecer é uma das transformações mais fascinantes da vida. Ao longo dos anos, nosso corpo…

1 dia ago

Aos 80 anos, minha barriga cresceu de forma assustadora. Mas os médicos ficaram em choque quando descobriram que…

Nunca imaginei que, aos 80 anos, uma simples consulta médica pudesse colocar em dúvida tudo…

1 dia ago

Mulher de 31 anos morre após ‘seguir conselho’ do ChatGPT; gerando alerta sobre até onde podemos confiar na inteligência artificial

A inteligência artificial (IA) deixou de ser uma tecnologia distante para ocupar espaço no cotidiano.…

1 dia ago

A série coreana que enfrentou pedido de cancelamento virou fenômeno na Netflix: por que todo mundo está falando dela

Algumas produções chegam ao streaming em silêncio. Outras chegam cercadas de briga. "Aprendendo a Lição"…

2 dias ago

Quem tem esses signos pode explodir a qualquer momento até 30 de novembro: o que Vênus e Mercúrio querem trazer à tona

Quem tem paciência de sobra pode estar perto do limite. De acordo com a astrologia,…

2 dias ago

TESTE: Qual destas mulheres mais atrai você? Sua escolha pode revelar o que você ‘tenta esconder’ até de si mesmo!

Você já parou para pensar por que algumas pessoas chamam sua atenção imediatamente, enquanto outras…

2 dias ago