O Brasil precisa combater os 3 venenos descritos pelo Budismo: “Só a compaixão será capaz de sufocar o ódio!”.

O Brasil tem vivido uma forte tensão política nos últimos tempos. Essa tensão criou dois lados, separando partidos, regiões, amizades e até mesmo famílias, gerando muito sofrimento. Vejo que, o Brasil, de forma coletiva está bebendo os três venenos descritos pelo budismo: ilusão, apego e aversão. Milhares de pessoas estão iludidas por um separatismo, apegadas a visões parciais de formas de ver o mundo e divididas por aversões e ódios entre os dois lados. E é preciso trazer o antídoto para eles.

O estado de calamidade no Rio Grande do Sul demonstrou que o país, de forma coletiva, também é capaz de administrar os antídotos para os venenos forma endógena. O Brasil se uniu diante da vulnerabilidade de um de seus estados, demonstrando sabedoria para secundarizar desavenças supervalorizadas e tem demonstrado comovente generosidade e compaixão ao direcionar energias coletivas e individuais para a arrecadação de doações e organização de voluntariado.

O que o Budismo diz sobre nós diante da tragédia do Rio Grande do Sul?

Muitos consideram o Budismo como a “ciência do sofrimento” e eu compartilho da mesma ideia. Essa filosofia é basicamente um corpo de conhecimento que tenta entender a origem, a natureza e os remédios contra o que chamamos de dukkha, ou sofrimento.

Dentre as várias considerações que o Budismo faz acerca de dukkha, trago à reflexão, a ideia dos “três venenos”: Ilusão, Apego e Aversão.

Buda sugere como antídoto para os três venenos que causam o sofrimento, respectivamente: a sabedoria, a generosidade e a compaixão.

Darei uma demonstração prática de como a compaixão pode dissolver o sofrimento.

Partiremos do pressuposto que a vida não existe sem o outro. O ser humano é um ser gregário cujo bem-estar depende do compartilhamento da vida.

Talvez, muitos tenham se acostumado ao individualismo e ao egoísmo. Muitos, também, vivem em busca de atender suas satisfações narcísicas e procuram regular seus julgamentos sempre baseados na sua própria experiência.

Temos cada vez mais dificuldade de considerar uma realidade subjetiva fora da nossa, como se todo mundo devesse espelhar o nosso.

Pelas redes sociais, somos espectadores da felicidade alheia, como se fosse um cenário artificial construído para uma peça de teatro. Essa ilusão faz com que nos distanciemos cada vez mais do sofrimento do outro, e afastemos o outro de nossas próprias vulnerabilidades.

Assim, nossos relacionamentos estão cada vez mais distantes, artificiais e líquidos. Sem verdade e profundidade não somos capazes de nomear e entender as causas de nosso vazio interno. Nos enterramos, como disse o Budismo, em uma ilusão, nos apegando à liquidez impermanente e criamos aversão ao diferente.

Com isso, fechamos o espaço para o outro. Se a pessoa não espelha nossas opiniões e forma de fazer as coisas, acabamos acusando, julgando, culpando e cobrando que ela ceda às nossas exigências. Muitas vezes o outro só precisa ser ouvido, acolhido, sentir que está preenchendo o espaço no mundo que é só seu. Assim, se realmente desejamos superar toda dor e sofrimento que vivemos hoje, precisamos aceitar o outro como ele é (claro que se isso não ferir nossos valores fundamentais). Assim também poderemos ser exatamente quem somos.

A mobilização causada pela tragédia do Rio Grande do Sul é uma prova de que ainda somos capazes de união. Mostra também como todos queremos a mesma coisa, o bem-estar coletivo.

Que não nos esqueçamos disso, porque, como diria Buda: a compaixão é capaz de sufocar o ódio, e movimentos que o destilam. E que não nos esqueçamos disso também nos momentos de política democrática em que podemos – e devemos – discordar.

*DA REDAÇÃO RH. Foto de Alyona Grishina na Unsplash. Texto de Luiz Fellipe Carvalho

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Professor de Yoga, RYT 200 em Yoga Alliance, foi professor na Universidade de Brasília, idealizador do Movimento Ahimsa e dedica-se a estudar o ser humano. Investiga com profundidade filosofias orientais e ocidentais, religião, meditação, psicanálise, história, antropologia e outras disciplinas. Titulou-se mestre em sociologia pela Universidade de Chicago onde estudou o desenvolvimento de religiões ditas "heterodoxas" no Brasil, é pesquisador do Centro de Pesquisas e Análises Heráclito - CPAH e membro da sociedade de alto QI Mensa.