Uma coisa é certa: para o arrependimento verdadeiro é preciso tristeza pelo pecado e o afastamento dele. Não é possível abandonar o erro se não houver reconhecimento de quão grave e arriscado ele é. Enquanto não existir um afastamento sincero do pecado não ocorrerá uma mudança real na vida do ser humano. As pessoas que lamentam seus erros e muitas vezes procuram realizar certa mudança na sua maneira de viver por medo que as consequências lhes causem maiores sofrimentos, não compreendem a verdadeira natureza do arrependimento. Neste caso, o arrependimento realmente não é sincero. Essas pessoas querem evitar o sofrimento, a aflição, mas não o próprio pecado.
Quando o coração do ser humano consente que o Espírito de Deus o influencie, a consciência é despertada, e a pessoa começa a enxergar a profundidade e santidade desta influência, que o faz despertar para um novo rumo. A “luz que ilumina a todo homem…” (João 1:9) chega também ao mais íntimo segredo do coração, e todas as coisas que estão ocultas são reveladas.
Após isso acontecer, um senso de culpa apropria-se da mente e do coração dessa pessoa. Ela passa a sentir a justiça de Deus, e “degusta” um sentimento de horror, em sua própria culpa e impureza, diante do Deus que conhece o coração e formou tudo o que vai dentro dele. Ela passa a entende o amor de Deus, vê a beleza da santidade, sente a alegria da pureza, e anseia ser purificada e ver restaurada sua comunhão com Deus.
Há uma história bastante conhecida na Bíblia sobre o rei Davi. Este rei muito pecou, o que o afastou de Deus, todavia, o seu arrependimento verdadeiro o levou para perto do Criador. Mas o mais importante é que Davi foi sincero e a sua oração após sua queda ilustra a natureza da verdadeira tristeza pelo pecado. Seu arrependimento foi sincero e profundo, sem minimizar sua culpa, consciente do julgamento que o ameaçava e da grandeza da sua transgressão. Viu então o quanto sua mente estava contaminada e passou a aborrecer o pecado.
Um dos pedidos mais verdadeiro que alguém pôde pedir a Deus é o que Davi pediu em oração, ele não orou somente pelo perdão, mas para ter o coração purificado. Assim ele se pediu: “Cria em mim, ó Deus, um coração puro e renova dentro de mim um espírito inabalável” (Salmos 51:10). Por nós mesmos, um arrependimento como esse de Davi está além do nosso alcance; mas, com Jesus Cristo somente, Aquele que subiu ao Céu e concedeu dons aos homens, podemos obtê-lo.
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