O amor não nasce torto. São as pessoas que entortam ele.

Luciano Cazz

Compreender que somos amadores no amor não significa aceitar uma relação que dói, mas amadurecer para encontrar um amor que nos faça só bem.

O amor não nasce torto. São as pessoas que entortam ele.

Sonhamos com um amor de cinema. Mas infelizmente a realidade não tem roteiro. O amor real vem, sim, com afeto e até paixão, mas também traz consigo toda a rede emocional de um adulto cujas experiências anteriores, principalmente na infância, definem como ele irá se portar diante do sentimento que deveria ser lindo.

É difícil de entender como alguém que nos ama pode ser capaz de nos fazer mal, porém, algumas pessoas cresceram em um ambiente frio, sem manifestações amorosas. Isso gera confusão, medo e angustia na hora de lidar com o amor. Não quer dizer que sejam incapazes de amar ou más, apenas têm o coração muito ferido para se permitirem gostar. Passaram por tanto desafeto que temem demais demostrar seu sentimento para mais uma vez serem rejeitados ou ignorados.

Por vez, a vaidade exagerada acaba criando uma competição mesmo com quem se ama. Seja na atenção de filhos, seja em parecer melhor como pessoa ou na profissão e até ter um salário maior. Isso pode ocorrer, inclusive, dentro da família. Entre irmãos, entre pais e filhos. Parentes que agem como nossos inimigos ou sentem aquela necessidade de nos ver na pior para se sentirem melhor. É triste, mas real. São pessoas que certamente precisam de um tratamento e, às vezes, nem se dão conta de sua pobreza de espírito ao amar. Porém, apesar de toda a inveja e competição, de toda mesquinharia e até maldade, lá no fundo, ainda existe amar, por mais incrível que pareça e apesar de todas as dúvidas que nos causam.

A gente para e pensa, mas como? Infelizmente ainda temos muito o que evoluir no quesito amar. Somos amantes amadores e precisamos curar nossas feridas antes de alcançar a plenitude desse sentimento tão nobre. A humanidade que habita esse planeta tem a autoestima machucada. E, muitas vezes, usamos uma relação de amor para compensar nossas carências, tentar fechar as lacunas que a vida abriu em nosso peito ou compensar um valor que achamos que não temos. E lá, depois de todas essas feridas e do jeito torto de ser, ainda assim, existe um coração capaz de amar e muito.

Respeitar os problemas de afetividade das pessoas, perdoar e entender sua forma de amar, não significa que devemos aceitar um amor torto. Não. Uma relação tem que nos fazer bem, só bem. Sem inveja, vaidade, mentiras nem agressividade. O amor não pode querer o mal. Mas se isso acontecer, que nosso amor-próprio seja mais forte ao ponto de lutarmos por uma relação sadia, mesmo que seja imperfeita.

Afinal, Deus escreve certo por nossas linhas, que se não fossem tortas, jamais se cruzariam.

COMPARTILHAR

RECOMENDAMOS





COMENTÁRIOS




Luciano Cazz
"Luciano Cazz é publicitário, ator, roteirista e autor do livro A Tempestade depois do Arco-íris."