Ninguém segura água morro abaixo e alguém que queira trair

Prof. Marcel Camargo
Couple in bed texting whilst girlfriend is asleep

Vigiar, prender, apertar, nada disso adiantará, caso a fidelidade não seja algo espontâneo, que já existe dentro do coração. Nada daquilo que for forçado durará por muito tempo, pois a fidelidade só é verdadeira quando é espontânea.

A modernidade nos trouxe muitas benesses, porém, ao mesmo tempo, acabou por extrapolar alguns limites, em vários setores da vida. Quase mais nada se mantém em segredo, misturando-se público e privado, intimidade e ostentação, enquanto somos constantemente vigiados por câmeras de segurança, seguidores virtuais, hackers e curiosos de plantão.

O fato de haver uma nova modalidade de famosos, os quais conseguem amplos rendimentos apenas sendo quem são, lotando as redes virtuais de vídeos, fotos e dicas várias, leva muitas pessoas a visarem à fama cibernética, expondo-se nos canais da internet. Infelizmente, essa superexposição acaba por provocar vulnerabilidades na vida da pessoa, cuja intimidade passa a dispor de pouco tempo para se desenvolver longe dos holofotes.

Nesse contexto, em que os contatos se multiplicam, através das redes virtuais e dos aplicativos de celular, as chamadas tentações, as possíveis puladas de cerca, aumentam em quantidade e oportunidades. Por essa razão, muitos relacionamentos acabam por conta do que o parceiro acabou descobrindo no celular ou no computador do ex, o que motiva, inclusive, muitos casais a terem uma conta conjunta nas redes sociais. Saber as senhas do companheiro, para muitos, chega a ser quase que uma obrigação, uma vez que predomina a máxima de que quem não deve não teme.

Na verdade, quem quiser trair, irá trair, porque nada é capaz de segurar as rédeas de alguém que desconhece regras mínimas de um relacionamento a dois. Não será uma aliança no dedo, ou uma conta virtual conjunta, que inibirá o comportamento do outro, uma vez que o caráter é uma característica que se encontra dentro de cada um. Trata-se de princípios que a pessoa carrega dentro de si, os quais não são internalizados de uma hora para outra.

Vigiar, chantagear, prender, apertar, nada disso adiantará, caso a fidelidade não seja algo espontâneo, que já existe dentro do coração. Nada daquilo que for forçado durará por muito tempo, pois apertar demais espana, ou seja, uma ou outra hora, a verdade vence o fingimento e o que se é triunfa sobre tudo o mais. Se o parceiro realmente entender a importância da fidelidade, conseguindo colocar-se no lugar do outro minimamente, então a fidelidade poderá até vir. Do contrário, ninguém mudará e quem tentou forçar o que não era vontade própria sairá ferido. É isso.

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Prof. Marcel Camargo
Graduado em Letras e Mestre em "História, Filosofia e Educação" pela Unicamp/SP, atua como Supervisor de Ensino e como Professor Universitário e de Educação Básica. É apaixonado por leituras, filmes, músicas, chocolate e pela família.