Ninguém salva um casamento sozinho. Os dois precisam querer!

Por André Barbosa

Para que um casamento dure e o amor cresça é preciso que duas pessoas queiram, quando apenas um está disposto a remar, o barco fica à deriva.

Tenho recebido muitas perguntas sobre como salvar um casamento (ou relacionamento longo), as pessoas querem saber como reascender a vida sexual do casal… Será que é possível?

O que eu percebo, diante da minha experiência profissional com casais é que, em um relacionamento saudável, ambos os envolvidos, estão sempre fazendo algumas adaptações, ou seja, concessões. Um abre mão de uma coisa, outro abre mão de outra e, assim vão levando a vida a dois, equilibrando as vontades, as necessidades e os interesses.

Afinal, uma relação a dois é uma junção de dois mundos e cada pessoa carrega, dentro de si, uma história, cada pessoa carrega um universo de experiências diferentes, uma forma de ver e enxergar o mundo. Por isso que, em uma relação saudável, onde o desejo ainda é forte e frequente, é normal perceber esses acordos que, de tempos em tempos são renovados, alinhados e acertados entre as duas partes.

Essas adaptaçãoes precisam ser feitas através de conversas assertivas, respeitosas, carinhosas, onde ambos possuem seus lugar de fala, onde os sentimentos dos dois são respeitados e seus sonhos alimentados.

O grande problema é quando só uma das partes tem a tarefa de realizar essa adaptação, quando só uma das partes abdica de algo, quando só você cede…

Isso não é um relacionamento a dois, é, no máximo, uma ilusão do que poderia vir a ser um relacionamento. ( se é que podemos chamar isso de relacionamento)

Quando isso acontece dentro de uma relação ela já acabou faz tempo, de nada adiantará bolar fantasias sexuais, comprar calcinha de renda, instigar os desejos e tentar reaver a paixão do inicio porque uma coisa essencial já foi quebrada: o respeito.

Uma pessoa que não abdica de nada, geralmente, não tem amor suficiente para gerar nenhuma mudança em sua vida e, portanto, “Não vale a pena mudar por ele (ela)!”.

E o contrário também é verdadeiro, aquele que abdica de tudo, pode estar confundindo amor com o medo do abandono, com o medo da solidão, com a insegurança e a dependência emocional.

Essa pessoa que faz tudo pelo outro e não olha para as próprias necessidades, simplesmente, não se respeita. E uma pessoa que não se respeita, não é admirada. É aí que a chama do desejo se apaga.

Quando uma das partes começa a fazer tudo para agradar o outro, na esperança de salvar o seu casamento ou o seu namoro, ela declara abertamente o seu medo.

Esse medo pode ter origem na infância e ter se intensificado nas relações que essa pessoa travou na vida adulta. Ela acredita que, se não fizer o que o outro quer; pode dar briga, confusão, ele pode terminar, ela terá que viver sozinha, será humilhada, mal tratada… Vários pensamentos negativos podem atormaentar uma pessoa que sofre com a dependência emocioanal).

Eu, como psicoterapeuta, ao contrário do senso comum, costumo ser mais crítico com aquele que abdica de tudo, do que com aquele que não abdica de nada, pois, esse comportamento, de estar sempre disponível para agradar o outro, na realidade, pode reforçar e aumentar ainda mais o desrespeito e a falta de admiração do outro em relação a ele.

É fácil apontar que quem sempre faz tudo é a vítima e quem não abdica de nada é o vilão, o chato, o autoritário, mas é importante observar qual o nosso papel na construção do comportamento do outro em relação a mim.

Enquanto nos colocamos como vítimas da situação e não tomamos a parte de responsabilidade que nós temos diante da relação que estamos, sofremos as consequeências da nossa irresponsabilidade diante da nossa própria vida.

Isso quer dizer que, quando a gente joga a culpa toda no colo do outro, a gente se sente inocente e, pessoas inocentes acreditam que não há nada que possa ser feito, que elas já fizeram de tudo. Posto isso, elas ficam paralizadas e não conseguem agir diferente, não sabem impor limites, não enfrentam as situações e, quando enfrentam, reagem negativamente, lamentando a prórpia sorte.

Se a pessoa não entender que deve olhar para a sua responsabilidade diante da situação, ela não conseguirá trazer uma solução.

“Mas o outro que é culpado!”, ela diz. Mesmo que o outro tenha culpa, mesmo que ele tenha 90% de responsabilidade e ela tenha apenas 10%, se ela não se autorresponsabilizar por esses 10% que são dela, ela será uma eterna vítima do mundo e de relacionamentos ruins.

Podem até mudar os nomes dos atores de minha vida, mas o filme sempre será o mesmo.

Se eu sempre abaixei a cabeça, sempre me coloquei dsiponível, sempre fiz as vontades do outro em detrimento das minhas, eu o acostumei a não abdicar de nada, a fazer sempre tudo sempre do jeito que ele quer, então será que não tenho também responsabilidade no comportamento ruim do outro em relação a mim?

Depois que a situação já chegou nesse limite, fica bem complicado reverter esse quador, mas não impossível. Isso se ainda existir amor das duas partes.

Lembrando que, cada pessoa tem a sua forma de amar e, saber respeitar a forma do outro amar também é um segredo para manter acesa a chama da relação.

Em um casamento, quando passa a fase da paixão (onde eu idealizo o outro e só vejo qualidades nele), e nos permitimos sentir o amor (onde consigo enxergar o outro como um ser humano de verdade com seus defeitos e acertos e, mesmo assim, ainda o admiro e quero crescer ao seu lado), começa a se desenvolver algo bem comum que eu costumo chamar de: procrastinação sexual.

A procrastinação sexual é quando eu espero estar motivado para a relação sexoual e também espero que essa minha motivação coincida com a motivação do outro, mas essa sincronização começa a indicar falhas estratégicas. Vou explicar:

É como ficar esperando um sinal do destino todos os dias. Isso não funciona.

O que eu vou falar vai soar anti-romântico (mas não é, explico ao final):

Quando você está casado há um bom tempo, você precisa se programar para o sexo (ou o casal precisa fazer isso, juntos).

Exemplo: todo sábado tem que ter (e avisa-lo). O sexo programado, por mais que pareça se graça a princípio, não tem nada de sem graça, ele é ótimo porque dá tempo para você criar coisas, fazer algo especial e, principalmente, você se preocupa em não promover ações, elogiar, levar o dia mais leve, para que no final, as coisas aconteçam perfeitamente como os dois esperavam…

Para tudo que a gente ama e gosta de fazer, realizamos uma programação (festa, sair com os amigos, viagens… até um simples jantar romantico) por que então com o sexo teria que ser diferente?

Quando nos casamos, tendemos a relaxar, o casamento faz isso com a gente, é normal e, temos, em alguns momentos, preguiça do sexo, mas quando estamos fazendo, gostamos. Não é assim?

Programar esses encontros íntimos acaba sendo divertido, inclusive, ajuda a reativar sua atração pelo seu parceiro ou parceira (e a(o) dele(a) por você).

Fazer coisas diferentes sempre é bom para aumentar o desejo sexual. Mas para isso, você precisa assumir a sua responsabilidade e começar a agir diferente, não para agradar o outro, mas para agradar a si mesmo. Isso não é um movimento egoísta, é um movimento de amor-próprio que faz o outro te olhar com outros olhos, com olhos de admiração e de respeito.

E, geralmente, quando um casamento esfria, foram essas duas coisas que se perderam, não é mesmo?

“Mas programar o dia e a hora é muito anti-romântico!”. Ok, qual a fase mais romântica de um casal?

O que falamos quando um casal está sempre se amando, grudados, animados? Geralmente falamos que o casal está em lua de mel, não é mesmo? E o que é uma Lua de mel senão uma programação para, entre outras coisas, dias e dias de sexo?

Façam isso e depois me contem o resultado!

Espero ter ajudado,

*Texto de André Barbosa – Psicoterapeuta Cognitivo-Comportamental – 85 98813-9593 – Instagram – @opsicologo

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