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Não tenha vergonha dos seus problemas porque existem problemas maiores no mundo.

Focar em seus próprios problemas não é egoísmo se você não ficar cego para os outros.

Às vezes, reclamamos da pobre casa que temos, mas quando caminhamos na rua e vemos tanta gente sem teto nos sentimos culpados. Desejamos não sofrer pelo que nos dói. Mas a medida dessa dor não está na outra pessoa e, sim, dentro da gente.

Em primeiro lugar, sentimos o peso do fardo que carregamos, não aquele que os outros carregam.

Ter empatia com o sofrimento alheio é diferente de viver sua situação na pele.

Usando esse exemplo literal, podemos nos comover com alguém que se queimou com o fogo, mas somos incapazes de sentir a dor que arde em sua pele.

Ficamos tristes quando um amigo perde um ente querido, mas o sentimento é incomparável quando a perda é dentro da nossa própria casa.

E isso é natural, normal. Imperfeitamente humano.

A nossa fome de um dia sem comer é muito maior do que a fome que assola há séculos as crianças dos países africanos em dificuldade.

Não em nível de mundo, mas para a realidade individual de quem sente a necessidade gritante de comer no próprio estômago.

Uma urgência de sobrevivência pessoal e indivisa.

Muito mais legitima de amparo para quem a sente do que a fome insolente que existe depois do oceano.

A dor emocional tem a ver com a história individual das pessoas, com as faltas que sofremos durante a vida, com as rasteiras que levamos do destino, com o amor que nunca tivemos.

É uma construção muito particular, impassível de julgamentos, pois solidarizar-se jamais será igual a sentir da mesma forma.

Por isso, não tenha vergonha de chorar porque a promoção no trabalho não saiu, quando existe milhões de pessoas sem emprego, porque seu amor esqueceu o aniversário de namoro, quando muita gente não é amada.

Não se sinta culpado por estar em depressão dentro de um carro importado, por ser infeliz vivendo em uma mansão.

Nem mesmo por sofrer muito mais por problemas iguais aos seus que nem afetam tanto os outros.

Cada um tem sua sensibilidade, sua forma de ver o mundo, de absorver determinadas experiências.

Não podemos sentir pela medida do outro. O que nos cabe é a realidade da nossa alma.

Por isso, não se sinta mal nem frio por não se compadecer com todas as tragédias do mundo. A não ser que seja incapaz de qualquer sensação de empatia.

Focar em seus próprios problemas não é egoísmo se você não ficar cego para os outros.

Somos regidos pelos nossos sentimentos e percepções.

Nossa interpretação e reação sobre as coisas, vem de uma particularidade estrutural da existência humana.

Somos assim, por maior que seja nossa capacidade de generosidade, ainda somos fundamentalmente seres isolados no que significa ser nós mesmos sem que ninguém tenha qualquer acesso ao que exatamente sentimos dentro da gente.

É impossível roubar uma dor do outro.

Tomar a tristeza alheia para si.

A nossa dor experimentamos mais no coração, a dor do outro é mais na cabeça porque podemos compreender e deduzir através das informações que recebemos, mas jamais incluí-la no nosso sentir literal do corpo e da alma. Da mesma forma ninguém pode sentir por nós.

Portanto, relaxe.

Os seus problemas já são grandes o suficiente para tirarem o seu sossego, não deixe que a culpa por tê-los aumente mais ainda a sua dor.

Pelo contrário, viva seu luto. Chore suas aflições.

Não tranque suas mágoas por mais bobas que pareçam.

Extravase suas angústias, libere seu inconformismo.

Porque se uma unha recém feita, que se quebra, dói em você, é um sofrimento legítimo que ninguém pode julgar, muito menos você mesmo que a sente.

Até porque é somente quando você aceita e vive suas dores que se torna capaz de efetivamente ajudar o sofrimento do outro.

Luciano Cazz

"Luciano Cazz é publicitário, ator, roteirista e autor do livro A TEMPESTADE DEPOIS DO ARCO-ÍRIS." Quer adquirir o livro? Clique no link que está aí em cima! E boa leitura!

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