Não se acostume com o que machuca.

Iandê Albuquerque

Sempre me falavam de você, minhas amigas me alertavam, diziam que não merecia ficar contigo. No fundo eu sabia que era intensa demais pra você, eu só não conseguia me convencer de que te deixar era o melhor pra mim, por mais que fosse, eu sei que era.

Por mais que eu soubesse que precisava te tirar da minha vida, porque era só essa escolha que você me dava. Eu só não conseguia entender como dar o primeiro passo, como finalmente ter coragem de não responder mais as suas mensagens, como ter a frieza de rejeitar as suas ligações e desfilar o meu sorriso por aí como se você não fizesse mais parte de mim.

Eu li muitos textos pra tentar me convencer de te tirar da minha vida, conheci novos lugares e tentei aprender novos métodos pra me desviar do seu velho discurso de amor tentando justificar falta de caráter pra me manter por perto. Eu busquei sair mais, me ocupar mais, até conheci novos lugares e pessoas, mas nada disso era o suficiente. Até que numa dessas manhãs que a gente acorda realmente disposta a mudar algo na nossa vida, trocar uns quadros de lugar, descartar as roupas que não nos veste mais, mudar o penteado do cabelo, me fez pensar no que exatamente eu queria pra minha vida, no que eu precisava e em todas as coisas que eu me enganava, achando que era uma necessidade manter quando na verdade, já tinha passado da hora de descartar.

Foi numa dessas manhãs que me encarei, disse pra mim mesma seguir em frente e de uma vez por todas me mover. Não pensei duas vezes, vasculhei o meu interior em busca de todos os sentimentos insuficientes que, por teimosia, eu ainda mantinha dentro de mim. E foi então que te encontrei, lá no fundo do peito, surrado, empoeirado, ocupando um espaço que nem era mais seu, poluindo um canto de mim que nem te pertencia, na verdade, nunca pertenceu. Foi um momento de autoconhecimento imenso, eu precisava de um encontro comigo mesma, sabe?

E foi então que eu percebi, que nenhuma música, nenhum texto, nenhuma viagem e nenhuma pessoa é capaz de nos fazer esquecer alguém da nossa vida quando nós, ainda insistimos agarrar em algo que não soma mais. Somos nós, os únicos responsáveis, por manter ou nos desfazer dos sentimentos e das pessoas que só nos atrasam. E você tinha se tornado uma dessas pessoas, tóxicas, que em vez seguir o seu caminho, atravessava o meu pra me impedir de continuar. Que em vez de correr em busca da sua felicidade, preferia perturbar os meus dias só pra ter o prazer de não me ver feliz sem você.

Demorei pra entender que você não iria estar em minha vida se eu não permitisse. Desde então, decidi não permitir nem mais um segundo de você na minha vida, e eu não posso mais me acostumar com o que me machuca.

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Iandê Albuquerque
Sou recifense, 24 anos, apaixonado por cafés, seriados e filmes, mas amo cervejas e novelas se houver um bom motivo pra isso. Além de escrever em meu blog pessoal e por aqui, escrevo também no blog da Isabela Freitas, sou colunista do Superela e lancei o meu primeiro livro em Novembro de 2014 pela Editora Penalux. .

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