Você já recebeu uma ligação de alguém dizendo ser “do seu banco”, avisando que sua conta corria risco? Ou uma mensagem no WhatsApp de um “filho” pedindo dinheiro com urgência? Se a resposta é sim, você não está sozinho e talvez tenha escapado por pouco de um prejuízo real.
Os golpes financeiros no Brasil não param de crescer, e os criminosos sabem exatamente quem procurar: pessoas entre 40 e 60 anos, que já construíram patrimônio, têm contas em vários bancos, cuidam de pais idosos e filhos ao mesmo tempo e, muitas vezes, confiam demais na tecnologia que usam todos os dias sem imaginar o quanto ela pode ser explorada.
Levantamentos recentes mostram que essa faixa etária é, proporcionalmente, uma das mais visadas por tentativas de fraude digital no país, às vezes até mais do que os idosos.
Portanto, neste artigo, revelamos os sete golpes mais comuns hoje e como se proteger de cada um.
1. O falso funcionário do banco
O golpista liga se passando por atendente do seu banco, avisando que seu cartão foi clonado ou que há uma transação suspeita. Para “resolver”, pede que você corte o cartão ao meio, informe a senha ou instale um aplicativo de acesso remoto no celular.
Lembre-se: nenhum banco pede senha, código de segurança ou acesso remoto ao seu celular por telefone. Desligue e ligue você mesmo para o número oficial que está no verso do cartão.
2. O parente que “trocou de número” no WhatsApp
Uma mensagem chega dizendo: “Oi, pai/mãe, quebrei meu celular e esse é meu novo número”. Pouco depois, vem um pedido de dinheiro urgente, geralmente via Pix, para pagar uma conta ou resolver uma emergência. Os golpistas usam fotos e informações reais tiradas de perfis públicos para tornar a história convincente.
Por isso, sempre ligue por vídeo ou telefone para confirmar antes de transferir qualquer valor, mesmo que a “urgência” pareça real. Combine com a família uma palavra-chave para esse tipo de situação.
3. Boletos e cobranças falsas por e-mail ou SMS
Mensagens que parecem vir de empresas conhecidas, operadoras de telefone, companhias de energia, o INSS, avisando sobre uma pendência, um desconto ou uma “regularização necessária”, com um link ou boleto anexado.
Portanto, nunca clique em links recebidos por SMS ou e-mail para pagar contas. Acesse sempre o aplicativo oficial da empresa ou o site digitado diretamente no navegador.
4. Empréstimo consignado feito em seu nome sem autorização
Com dados vazados de sites e vazamentos de informações da Previdência, criminosos contratam empréstimos consignados em nome da vítima, que só descobre quando o desconto aparece no contracheque ou na aposentadoria.
Para se proteger, consulte periodicamente o extrato do INSS ou da sua folha de pagamento pelo aplicativo Meu INSS ou pelo site oficial, e ative alertas de novas contratações sempre que o banco oferecer essa opção.
5. A “ajuda” no caixa eletrônico
Uma pessoa se aproxima oferecendo ajuda quando você está com dificuldade no caixa eletrônico e, nesse momento, memoriza sua senha ou troca seu cartão por outro sem você perceber.
Por isso, nunca aceite ajuda de estranhos em caixas eletrônicos. Se tiver dificuldades, procure um funcionário identificado da agência ou vá a um caixa dentro do banco.
6. O Pix da “chave errada” ou da falsa promoção
Golpistas enviam mensagens ou fazem ligações informando que uma transferência foi feita “por engano” para sua conta e pedem a devolução via Pix — mas o valor original nunca existiu de verdade, apenas um comprovante falso. Também é comum o golpe de falsas promoções e sorteios que pedem uma “taxa” via Pix para liberar um prêmio.
Como se proteger: desconfie de qualquer pedido de devolução de dinheiro por Pix sem confirmação no extrato oficial do banco, e lembre-se: prêmio de verdade nunca cobra taxa para ser liberado.
7. Investimentos milagrosos e pirâmides financeiras
Promessas de rendimento muito acima da média do mercado, com “grupos exclusivos” no WhatsApp ou Telegram, indicação de amigos e pressão para investir rápido antes que “a oportunidade acabe”.
Desconfie de qualquer investimento que promete retorno garantido muito acima da poupança ou do CDI. Verifique se a empresa é registrada na CVM (Comissão de Valores Mobiliários) antes de colocar qualquer valor.
O que fazer se você já caiu em algum golpe
Não fique com vergonha, isso pode acontecer com qualquer pessoa, em qualquer momento de distração. Se identificar uma fraude:
Entre em contato imediatamente com seu banco para bloquear cartões e contestar transações.
Registre um Boletim de Ocorrência.
Em casos envolvendo idosos da família, o Disque 100 (Direitos Humanos) pode orientar e encaminhar a denúncia.
A melhor proteção continua sendo a informação. Quanto mais gente souber como esses golpes funcionam, menos vítimas eles vão fazer.
E você, já passou por alguma dessas situações ou conhece alguém que passou? Conta aqui nos comentários, sua experiência pode ajudar outra pessoa a não cair no mesmo golpe.
Imagem de Capa: Resiliência Humana