Não quero passar a vida nesse labirinto de medo, andando em círculos e procurando uma luz no fim do túnel.

Clarissa Corrêa

Não quero passar a vida nesse labirinto de medo, andando em círculos e procurando uma luz no fim do túnel.

Não quero mais viver com você. Nosso relacionamento já virou rotina, uma rotina estafante e doentia. Ao seu lado, me sinto presa, refém de sofrimento, dor, desilusão. Não encontro uma saída para esse nosso impasse. O único jeito é seguirmos caminhos diferentes. Por isso, por favor, arrume suas coisas e vá embora da minha vida. Tenho certeza que seremos muito mais felizes vivendo separados, cada um em um canto, cada um com sua história, cada um do seu jeito. Preciso confessar: nunca combinamos.

Em alguns momentos, cheguei a pensar que te merecia. Pensei que tinha feito algo errado e me vesti com velhos clichês: “joguei pedra na cruz”, “devo ter feito algo muito errado”, “a dor ensina a gemer”, “onde foi que eu errei?”. Lamento informar, mas não. Eu não fiz nada errado.

Não joguei pedra na cruz, não errei, não tenho que aprender a gemer e conviver com essa dor. Sou como qualquer outro ser humano: mereço ser feliz, mereço amar e ser amada, mereço cuidar e ser cuidada, mereço saborear a felicidade sem medo que um golpe forte me tire as forças e a valentia.

Por outro lado, essa sua insistência em permanecer ao meu lado me fez perceber o quanto sou fraca. Não me impus o suficiente, não te afastei com tanta força, não te expliquei os meus motivos.

Mas nunca é tarde para recomeçar. Por isso, ouça bem o que digo agora: chega. Cansei de tudo isso, não quero mais viver sufocada desse jeito, não quero mais te obedecer, ficar de cabeça baixa me achando uma vítima, aceitar essas sensações desagradáveis que você me proporciona. Você me aprisiona, me desespera, me faz de gato e sapato, me amedronta, me suga, me fere.

Não quero mais ser uma marionete nas suas mãos. Não quero mais viver com essa dor que me tira o eixo, o ar, a perspectiva, a esperança e a fé no futuro. Você precisa parar. Precisa parar agora. Precisa parar já. Não quero passar a vida nesse labirinto de medo, andando em círculos e procurando uma luz no fim do túnel.

Não quero mais viver colada em você. Não quero que você seja um fantasma horroroso que vive a me assombrar, que fica esperando um passo em falso para me raptar e levar para um mundo escuro e cheio de barro.

Você precisa aceitar que nunca te pertenci. Não quero mais ouvir sua voz, seus passos, sua respiração. Não quero mais sentir o coração disparar assustado, perder o chão, a hora, a razão.

Não quero mais derramar lágrimas de desespero e solidão.

Não quero mais tentar fugir da vida, pelo contrário, quero me sentir bem o suficiente para vivê-la da melhor forma possível.

E isso, definitivamente, não te inclui, já que você não está convidado a visitar o meu futuro.

Então, por favor, se retire e nunca mais volte. É para o nosso bem.

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Clarissa Corrêa
Clarissa Corrêa é escritora e redatora publicitária. Gaúcha de Porto Alegre, tem 6 livros publicados, já foi colunista do caderno Donna (jornal Zero Hora) e da revista Tpm. Também já contribuiu com diversos sites femininos. Clarissa já participou do programa Encontro com Fátima Bernardes e seu livro “Para todos os amores errados” já esteve na lista dos mais vendidos diversas vezes. Observadora, além de escrever sobre as coisas de dentro, também trabalha com desenvolvimento pessoal.