“Não há despertar de consciência sem dor”

Fabíola Simões

“Não há despertar de consciência sem dor. As pessoas farão de tudo, chegando aos limites do absurdo, para evitar enfrentar a sua própria alma.” (Carl Jung)

Uma nova tradição vem surgindo na virada de um ano para outro: escolher uma palavra que possa servir como meta, direção, ou que represente algum significado para o novo ano. Uma prima querida lançou o desafio e, no dia 01/01, escolhi minha palavra: ALMA.

Explicando minha escolha para uma amiga, me lembrei de uma das frases que mais me arrebatam, do psicanalista Carl Jung:

“Não há despertar de consciência sem dor. As pessoas farão de tudo, chegando aos limites do absurdo, para evitar enfrentar a sua própria alma. Ninguém se torna iluminado por imaginar figuras de luz, mas sim por tornar consciente a escuridão”.

Ao escolher “ALMA” como minha palavra para 2020, decidi mergulhar numa jornada que pode ser tudo, menos fácil. Porém, é uma busca que me move há algum tempo, e consiste em ter a coragem de me desproteger e descobrir quem sou de fato, qual a minha essência, qual a minha versão mais pura, sem as camadas e camadas de influências externas, sem a identificação com o ego, sem as máscaras que todos nós usamos e que são importantes para vivermos em sociedade.

Enfrentar a nossa própria alma pode parecer simples, mas não é. Nem todos escolhem esse caminho, nem todos têm noção de que há algo mais a ser buscado além da superfície.

Nem todos sentem a necessidade de mergulhar e aprofundar em si mesmos, encontrando respostas muitas vezes difíceis e dolorosas, mas que ao final têm a possibilidade de nos tornar pessoas melhores – para o mundo e principalmente para nós mesmos.

Como disse Jung, “Não há despertar de consciência sem dor”. E por mais que desejemos descobrir qual a nossa essência, qual o nosso propósito; o que viemos fazer e aprender em nossa existência; quais experiências precisamos experimentar e quais devemos rejeitar; que vivências podem nos ajudar a evoluir; que lugares temos que abraçar, e quais devemos abandonar… tudo isso não se consegue num piscar de olhos, nem de forma objetiva e leve. Criamos defesas, construímos muros, nos escondemos sob camadas e mais camadas de proteções inconscientes.

Estamos sempre fugindo do confronto com nossa alma. E por mais que nos achemos bem resolvidos, bem equilibrados, bem sensatos e felizes, a vida é feita de altos e baixos, luz e escuridão. E, quer desejemos ou não, algumas sombras existem dentro de nós. Fingir que elas não existem é um modo de viver a vida. Porém, sem perceber, isso pode se tornar um peso do qual nunca conseguiremos nos livrar.

Descobrir o porquê de você ter optado por um caminho em detrimento de outro; ou o motivo que te levou a se auto sabotar naquele momento; ou a causa daquela sua alergia ou dores psicossomáticas pelo corpo; ou sua reação totalmente inesperada diante de uma situação nova; ou o uso de seu livre arbítrio de uma forma totalmente irracional naquele momento… tudo isso leva à uma maior consciência de nós mesmos, além da aceitação e compreensão de nossas sombras, trazendo-as para a luz e dando novo significado e cura ao que somos.

Ao final, descobriremos que por mais que tentemos, não podemos fugir de nós mesmos. Cada um é seu próprio destino.

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Fabíola Simões
Nasceu no sul de Minas, onde cresceu e aprendeu a se conhecer através da escrita. Formada em Odontologia, atualmente vive em Campinas com o marido e o filho. Dentista, mãe e também blogueira, divide seu tempo entre trabalhar num Centro de Saúde, andar de skate com Bernardo, tomar vinho com Luiz, bater papo com sua mãe e, entre um café e outro, escrever no blog. Em 2015 publicou seu primeiro livro: "A Soma de todos os Afetos" e se prepara para novos desafios. O que vem por aí? Descubra favoritando o blog e seguindo nas outras redes sociais.