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Não adianta dar espaço para quem não sabe ocupar lugar

Antes de entrar na vida da pessoa, devemos verificar se há espaço para nós ali. Antes de abrir espaço a alguém, devemos verificar se o outro quer mesmo estar ali como se deve.

É preciso saber até onde podemos avançar e onde o outro deve parar. Ou isso, ou, aos poucos, perdem-se limites de respeito, dignidade, convivência.

Provavelmente, uma das dúvidas mais frequentes que acompanham os seres humanos ocorra em relação a dar ou não uma chance, ou uma nova chance, a alguém.

Nunca poderemos ter total certeza quanto ao comportamento do outro, pois ninguém é plenamente previsível, portanto, analisar os antecedentes, os históricos, as experiências anteriores, pode nos ajudar no discernimento que, ainda assim, nunca será fácil.

Antes de entrar na vida da pessoa, devemos verificar se há espaço para nós ali. Antes de abrir espaço a alguém, devemos verificar se o outro quer mesmo estar ali como se deve.

Qualquer relacionamento envolve duas pessoas, dois mundos, dois universos, duas vivências que não se assemelham em muitos aspectos. Balancear o que vem e deve ficar e o que deve ser deixado lá fora é imprescindível, para que ambos os lados se equilibrem nos ganhos e nas perdas.

Em todo relacionamento, há concordâncias e discordâncias, que devem ser analisadas e discutidas, para que se estabeleça a harmonia do encontro afetivo.

Caso só uma das partes ceda às vontades do outro, o peso cairá só de um lado, e peso de um lado só não é relacionamento.

Não existe possibilidade de alguém sobreviver com saúde física e mental carregando fardos que deveriam ser divididos.

Temos que saber exatamente quais são os limites de nossos espaços nos lugares onde convivemos com outras pessoas.

Não gostaríamos de que ultrapassassem aquilo que suportamos e toleramos e, por isso, assim também devemos agir.

É preciso saber até onde podemos avançar e onde o outro deve parar. Ou isso, ou, aos poucos, perdem-se limites de respeito, dignidade, convivência. E, quando isso tudo se perde, os resultados serão somente dor e decepção.

Como se vê, tudo tem limite e todos têm seu limite de tolerância, os quais devem ser claros, explícitos, porque tem gente que desconhece os próprios limites, ou seja, não vai prestar atenção em nada, além daquilo que deseja e quer, sem conversa.

Se conseguirmos discernir quem sabe ou não ocupar o seu lugar com maturidade e coerência, evitaremos adentrar por relações tóxicas e doloridas.

E isso é muita coisa, em se tratando da qualidade de vida a que todos temos direito.

Prof. Marcel Camargo

Graduado em Letras e Mestre em "História, Filosofia e Educação" pela Unicamp/SP, atua como Supervisor de Ensino e como Professor Universitário e de Educação Básica. É apaixonado por leituras, filmes, músicas, chocolate e pela família.

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