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Mulheres que amam demais. Quando o “amor” adoece e faz sofrer

“Mulheres que amam demais” é o nome do livro de Robin Norwood, sobre mulheres que vivem relações afetivas repletas de dramas, jogos, brigas e desgastes, relações que tinham como objetivo serem amorosas, mas acabaram se tornando grandes fontes de sofrimento, podendo ter finais trágicos.

São mulheres que passaram por uma infância muito difícil, com família adoecida e desequilibrada emocionalmente. Desde crianças, não aprenderam a ser cuidadas, acolhidas e amadas.

O mais próximo a que chegaram da sensação de serem amadas em seus lares foi a de serem necessárias. Muitas vezes, amparando pais que mal podiam cuidar de si mesmos, essas crianças, como forma de sobreviver, passaram a cuidar das pessoas de quem deveriam receber cuidados, e assim aprenderam que, sendo úteis e necessárias, poderiam receber algum afeto, e acabaram levando esse padrão pela vida afora.

Ao lado de mães que, muitas vezes, vivendo relacionamentos abusivos, em que são diminuídas, menosprezadas, maltratadas e até violentadas por seus parceiros, essas crianças acabam enfrentando situações muito difíceis, para as quais não dispõem de aparato psicológico e emocional para lidar, nessa idade.

O rombo emocional causado por essa ausência de pais maduros e com possibilidade de atender às necessidades dessas crianças é enorme, elas aprendem a doar muito e a receber pouco.

Desde pequenas, o medo de que seus pais morram ou de que seja abandonada, se não forem boas filhas, cria uma sensação de angústia, desamparo, abandono e instabilidade muito profundas.

Quando os pais não podem se doar e amar incondicionalmente os seus filhos, essas crianças podem vir a acreditar que não são amadas como gostariam, por não serem suficientemente boas, por não merecer, e acabam criando, desde muito cedo, um personagem simpático, agradável, solícito, quase beirando à perfeição, na esperança de que, dessa forma, consigam mesmo que sejam migalhas de amor.

E, quando essas crianças feridas e com grande sensação de impotência, insuficiência e menos valia, não conseguem “consertar” seus pais e vê-los felizes, mesmo se sacrificando ou dando tudo o que têm, elas escolhem parceiros muito parecidos com os seus pais, recriando um cenário semelhante ao da sua infância. E o fazem, em alguns casos, muitas e muitas vezes, com a esperança de que o desfecho seja diferente do original, mas em geral não é.

Essas mulheres, em geral, buscam relações com parceiros imaturos, egocêntricos, adoecidos e desequilibrados emocionalmente. Toleram todos os maus-tratos, incluindo situações abusivas, com a esperança de que “se eu me esforçar um pouco mais, for mais paciente, amorosa, compassiva, um dia o banquete há de chegar e todos os esforços serão recompensados, aí, sim, terei todo o amor, carinho, atenção e respeito que desejo”.

Esse pensamento inocente, ingênuo e infantil daquela criança que um dia sonhou receber de seus pais um pouco de afeto, um olhar, uma validação ou um reconhecimento coloca-a em risco, ao entrar em relações violentas, abusivas, tóxicas, que a conduzem ao desequilíbrio, adoecimento e até à morte.

Se você se reconhece nessas palavras, busque ajuda profissional. Identificar onde você está é o primeiro passo para sair e iniciar sua recuperação.

Não coloque a sua felicidade nas mãos do outro, busque ajuda e retome seu poder, sua saúde e autoestima.

Gisele Lacorte

Psicóloga clínica, terapeuta corporal, consteladora familiar e orientadora profissional. Escritora e facilitadora de workshops, palestras e grupos terapêuticos que visam auxiliar as pessoas a reconhecer e ativar sua potencia de realização e alegria de viver através da reconexão com a sua verdadeira essência, do profundo cuidado com o sentir e com o poder de expressar suas emoções mais genuínas. Desenvolve trabalhos personalizados para grupos e empresas.

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