De acordo com um estudo realizado na Universidade de Nevada Las Vegas (UNLV), EUA, as crianças com distrofia miotônica tipo 1 (DM1) têm 14 vezes mais chances de desenvolver transtorno do espectro autista.
Essa nova descoberta pode ajudar a desvendar parte do mistério sobre como o autismo se desenvolve, fornecendo pistas vitais sobre suas raízes biológicas.
O Dr. Ryan Yuen, autor da pesquisa e cientista sênior do programa de Genética e Biologia do Genoma do Hospital for Sick Children em Las Vegas, disse: “Nossas descobertas representam uma nova maneira de caracterizar o desenvolvimento genético do autismo.”
A DM1 é um distúrbio causado por um gene defeituoso, no qual as pessoas herdam dos pais, e que causa fraqueza muscular progressiva, fadiga e uma série de problemas cognitivos.
Desta forma, especialistas acreditam que essa condição também pode afetar a maneira como o cérebro se desenvolve e processa informações no início da vida, alterando potencialmente os caminhos neurais ligados à comunicação, ao comportamento e à interação social — características do autismo.
Os pesquisadores acreditam que as descobertas nos aproximam da compreensão do autismo não apenas como um espectro, mas como algo com origens específicas e rastreáveis.
Além disso, isso aumenta oferece um suporte mais direcionado para pacientes com ambas as condições e tratamentos que se concentrem no reparo de genes danificados.
No entanto, a equipe também enfatizou que o DM1 é significativamente mais raro que o autismo, e nem todas as pessoas com DM1 serão diagnosticadas com autismo.
Na DM1, alguns erros funcionais levam a desequilíbrios proteicos que afetam outros genes responsáveis pela função cerebral. Essas deficiências genéticas podem fazer com que pessoas com DM1 desenvolvam sinais de autismo, como movimentos repetitivos, falta de coordenação e problemas sensoriais.
Os autores do estudo disseram que as descobertas podem facilitar o diagnóstico de autismo em pessoas com condições como DM1 e levar a tratamentos para reparar os genes danificados.
No entanto, mais pesquisas são necessárias para conectar o DM1 ao autismo, mas o grupo está planejando verificar se esses erros de DNA estão ocorrendo em outros genes que foram associados ao autismo.
Enquanto isso, outro novo estudo de pesquisadores na China descobriu que um tratamento de estimulação cerebral não invasivo pode melhorar certos sinais de autismo, como problemas de sono e problemas de interação social.
O tratamento, chamado estimulação transcraniana por corrente pulsada (tPCS), envolve o envio de impulsos elétricos por meio de eletrodos colocados no couro cabeludo do paciente.
Acredita-se que os sinais enviados aos eletrodos aumentem a atividade cerebral em certas áreas. A equipe descobriu que crianças de três a 14 anos que receberam 20 sessões de tPCS ao longo de quatro semanas tiveram melhorias “significativas” no sono, na linguagem, em problemas sensoriais e na socialização.
Imagem de Capa: Canva
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