Mal sabe você, que um amor como o nosso não dá pra esquecer

Bruna Stamato

Mal sabe você, que um amor como o nosso não dá pra esquecer…

Você está esperando o dia que vai ter superado a nossa história por completo, o bendito dia que as lembranças de nós dois terão se dissipado. Que eu serei um borrão apagado num passado distante.

Bobinho…mal sabe você que um amor como o nosso não se supera, pelo “simples” fato de que não se vive isso uma segunda vez.

É o tipo de paixão que as pessoas rezam para encontrar e morrem de medo quando encontram.

É um sentimento muito grande, onde 1 vida só é pouca para viver.

É coisa que não acaba, no máximo, adormece. Eu já vi gente sã, enlouquecer…

É saudade que não apazígua; é beijo que não se acha igual e pele que nunca mais se completa.

Porque outros corpos você vai achar, mas outro ser para trocar as almas, eu duvido muito.

Beijos mil…mas somente da boca pra fora, nunca mais, alma adentro.

Muito sexo por fazer…mas amor, não se faz com qualquer um.

Muita gente linda por encontrar, é verdade. Mas, muitos olhares sem nada a dizer.

Mal sabe você…quantas noites de desespero ainda vai passar, quando se der conta e olhar para a frente e ver que todo o resto da vida perdeu a graça. Que tudo pelo que você tanto luta, perdeu o sentido de ser, quando você perdeu por quem valia lutar.

Ah…mal sabe você, que o que sentimos um pelo outro nada tem a ver com o Tempo. Porque tem coisas que o tempo leva embora, mas algumas outras raras coisas o tempo só faz crescer. E se perpetuar dentro de nós.

Assim nós seremos. Morada fixa um no coração do outro, mas corpos longes em distância física, compadecendo em silêncio, se revirando na cama, quase com uma necessidade fisiológica de tocar o outro, tanto quanto respirar ou comer, ansiando por qualquer coisa que nos alivie a dor.

Ah, amor… Por que escolhestes o caminho mais doloroso?

E nos condenastes a solidão.

Aquele tipo de solidão que não tem a ver com estar só. Me refiro ao pior tipo de solidão que um ser humano pode experimentar, aquela que não se preenche nem com mil companhias…

Àquela solidão que vem nos consolar no meio da noite, quando mais uma vez acordamos no susto, com o coração a um milhão por segundo, depois de sonhar com o ser amado, aquela solidão que até enxuga nosso pranto, enquanto fazemos uma força enorme para chorarmos calados.

Mal sabe você, que é a pior luta que se trava na vida; razão mandando esquecer, emoção implorando para voltar.

Tanto amor por fazer, tanta história para ser vivida.

Suplica-se aos céus e a todos os santos, pelo amor de DEUS, não é possível, nada conseguirá fechar essa ferida?

Não quero desanimar você, mas é o tipo de coisa que não dá pra esquecer, no máximo, camuflar.

Camuflamos entre sorrisos sem vontade e baladas sem graça.

Entre interesses momentâneos e aquela vontade enorme de voltar correndo pra casa.

Mas, que casa?

Casa é onde o amor está.

Melhor então ficar…ficar pela rua, até amanhecer. Beber mais um pouco e tentar se convencer, que tudo em breve irá passar.

Mas, não passa.

A única coisa que passou, em todo esse tempo, foi a certeza de que a melhor opção era o afastamento.

A saudade não passa.

A vontade, muito menos. O desejo, quanto mais tentamos matar, mais ele aumenta.

A raiva de nós mesmos por sentimos o que já deveríamos ter esquecido, também não passa…

As lembranças, continuam vivas e coloridas.

Alguma coisa ainda pulsa insistentemente no coração. Será maldição?

Uma privação súbita da sensatez? Doença?

Chame como preferir… o nome disso é um só: O Grande AMOR da sua vida.

Você terá outros amores, não se preocupe. Assim como você teve outros antes de nós, mas se acostume e se conforme com ondas mais brandas. Com faíscas sem labaredas. Com olhos sem tesão e beijos que não te acendem.

Se conforme com intimidade sem encaixe, com cubas libres cheias de gelo e saudade, com Nando Reis tocando sem reciprocidade.

E por favor, contenha as lágrimas na frente da tua moça bonita, quando tocar a nossa música…estranho seria se eu não me apaixonasse por você….e se eu conseguisse esquecer tudo isso tão fácil.

Estranho seria se não fizéssemos a menor falta e se a vida tivesse se tornado melhor. Ah, amor…se acostume a ser chamado de amor sem sotaque!

A olhar a lua cheia sem lembrar de mim.

A ter outra pessoa no teu banco do carona, e a dirigir sem carinho na nuca…

Se acostume a levar outras pessoas embora da festa e a querer sumir de si mesmo quando a noitada acabar.

Se conforme em começar uma nova história, sem querer procurar similar, nem reproduzir o que vivemos.

Nunca mais seremos…preste atenção, nunca mais seremos para outras pessoas, quem fomos para nós dois.

Acostume-se a ser novamente singular.

Mal sabe você…que daqui há 20 anos, ainda existirá em nós, resquícios da nossa história e que então teremos que fazer muita força para puxar na memória o rosto do outro.

Mas, mesmo com a memória visual já falha, um coração tatuado por um amor tão imenso, ainda baterá diferente ao ouvir meu nome.

Nesse dia, talvez eu seja um arrependimento ou, quem sabe, uma história bonita que você contará aos seus netos.

Os mesmos netos que sonhamos, enquanto escolhíamos o nome do filho que nunca tivemos.

Conte com carinho, sem lembrar das discussões bobas e do quão infantis fomos. Diga que você foi a inspiração de muitos dos meus textos e que eu poderia escrever um livro sobre nós.

Mas, jamais faria isso.

Você, é uma daqueles dores que guardamos bem trancada no baú da alma, porque não queremos que ninguém saiba.

Tentando esquecer e negar veementemente, de nós mesmos. Jogamos o baú no abissal do âmago, rezando para nunca mais emergir.

Mal sabe você que o amor é a maior dádiva desta vida e que um amor de verdade é insubstituível…mas você agora tem a vida toda para descobrir.

Espero que tu tenhas encontrado o pote de ouro e paz que tu não tinhas ao meu lado.

Ah…mal sabe você… que não dá para esquecer!

COMPARTILHAR

RECOMENDAMOS







COMENTÁRIOS




Bruna Stamato
"Mãe, mulher, geminiana, maluca e uma eterna sonhadora!"