Viver cada dia como se fosse único! Essa frase é bastante comum; muito ensinada, muito divulgada, mas pouco praticada. Já se perguntaram qual foi a última vez na qual se permitiram mergulhar na vida, no desconhecido, sem planejar, esperar, se preocupar ou tentar prevenir o que possa acontecer?
Segundo a filosofia budista, ficar agarrado ao passado ou se preocupar com o futuro e ter medo do que possa acontecer pode arruinar o nosso presente. Vivemos em um mundo no qual é muito difícil permanecer no tempo presente, tudo nos puxa para fora, as mágoas, os erros, as frustrações (do passado), além dos medos, a ansiedade (do futuro).
Se permanecermos fora do presente, estaremos distantes da felicidade, pois é ali que ela mora. Estar em contato com o momento presente é perceber nosso corpo, utilizar nossos cinco sentidos e entrar em contato com nosso interior. Quando vivemos o presente, um milagre acontece na nossa vida, o de poder vivenciar momentos felizes – o que todos nós buscamos.
Uma boa razão para abandonar as expectativas é entender que, elas distorcem a nossa avaliação da realidade, quem vive fora do presente é incapaz de perceber até um gorila pulando na sua frente. Essa afirmação vem do experimento realizado por dois cientistas americanos, que provaram que, a mente humana quando ordenada a observar um futuro próximo, deixa de enxergar o presente, ainda mais quando é inesperado, ou seja, deixamos passar o que mais queremos – ser surpreendidos. No experimento, pessoas foram convidadas a contar quantos passes jogadores de basquete faziam em apenas um minuto, todos prestaram bastante atenção nos quase 35 passes e, ao serem questionados se haviam percebido algo estranho na cena, mais a metade afirmou que não – isso porque, durante o vídeo, um aluna vestida de gorila pulou por nove segundos no meio dos jogadores!
A verdade é que somos seres muito pouco confiáveis para avaliar uma situação, primeiro porque somos impregnados pelo nosso passado e pelo medo do futuro e segundo porque não contamos com o imprevisível. O problema não está em ter expectativas, mas em acreditar cegamente nelas. Se não somos capazes de enxergar nem mesmo “o gorila que pula em nossa frente”, por que acreditar que podemos avaliar o que pode acontecer no futuro?
Viver é entrar no campo do desconhecido, é deixar-se surpreender. A esperança não pode ser derivada da expectativa, mas sim da aceitação, com alegria, das surpresas do caminho criado por um “outro poder”, que podemos chamar de natureza, ou de Deus! É a esse outro poder que alinhamos o nosso poder próprio e assim devemos nos lançar na vida – sabendo que o leme é nosso, mas não é só nosso.
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