Conhecimento

Jovem de origem humilde transforma a própria vida por meio dos estudos

Padastro alcoólatra, mãe operária e pai PM; indo contra as estatísticas e previsões, Rafael Bastos cursou direito e passou no concurso e será Oficial de Justiça do TJCE

“Meu filho, você não pode escolher faculdade. Pobre não escolhe faculdade”. Há quase 10 anos, Rafael Bastos, 27, escutou essa frase do próprio pai. De origem humilde, o, então, menino acreditava em um dia cursar Direito, mas sua condição de vida o alertava para outro futuro. Teimoso, bateu o pé! Os sonhos eram maiores que as limitações.

Filho de uma operária das fábricas de castanha e de um sargento da Polícia Militar, Rafael teve noção de sua dificuldade financeira ainda cedo. Aos 4 anos, viu os pais se separarem. Ainda criança, presenciou a mãe se casando novamente, mas dessa vez a história não seria boa. O padrasto bebia muito e, às vezes, “quebrava tudo dentro de casa”. Foi nesse ambiente meio desajustado que o garoto acreditou em um futuro melhor, que revertesse a tal situação.

Mas o tempo foi se encarregando de levar os desajustes para longe, na medida que o menino se tornava homem. Em 2005, Rafael passou em Serviço Social na Universidade Estadual do Ceará (Uece). Entretanto, não era isso que ele queria. Sem nenhuma dúvida, resolveu lutar pelo Direito. Conseguiu passar duas vezes para a 2ª fase da Universidade Federal do Ceará (UFC). A aprovação parecia longe.

Daí, veio a oportunidade do Programa Universidade para Todos (ProUni), que concede bolsas em instituições de ensino superior. Finalmente, conseguiu. Formou-se pela Faculdade Farias Brito. “Tenho muito orgulho de ter tido avós agricultores, analfabetos e hoje ser bacharel em Direito, assessor jurídico do TJCE e, em breve, oficial de Justiça concursado do Tribunal de Justiça”.

Rafael mudou sua vida e a de sua família. Cresceu no Pirambu e se mudou para o Cambeba. Comprou automóvel, paga plano de saúde para a mãe e pretende, em breve, pagar o do pai. Estudou em colégio público no bairro até ser aprovado na Colégio da Polícia Militar do Ceará, aos 10 anos. Aos 17 anos, fez exame de seleção para dois colégios particulares – Farias Brito e Ari de Sá – e conquistou bolsas integrais pelo seu desempenho.

Acredita e comprava que com o estudo se vai longe. Assim como ele, conhece vários amigos que viveram o que ele passou e, atualmente, obtiveram sucesso. Sobre seu exemplo de vida, o jurista é humilde. “A minha história não é diferente da de muitos brasileiros. Abnegados, guerreiros e perseverantes, que não desistem dos seus sonhos”.

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