A hipocrisia faz o errado parecer certo

Fabiano de Abreu

Hipocrisia é o ato de fingir ter crenças, virtudes, ideias e sentimentos que a pessoa na verdade não possui, frequentemente exigindo que os outros se comportem dentro de certos parâmetros de conduta moral que a própria pessoa não exerce.

O ato hipócrita pode vir de um conhecimento do que tem que ser feito ou do que é certo mas não se traduz na prática. Nem sempre esse ato é por maldade.

Sabemos o que é certo e o que é errado e, cognitivamente, o que é necessário para atingir algo almejado.

Por isso, só determinamos hipócrita aquele que fala o que tem que ser feito, mas não faz.

Ou seja, ele sabe o caminho, mas não o segue por questões de bloqueio psicológico, falta de tentativa ou por simplesmente não querer.

É o famoso ‘faça o que eu digo, mas não faça o que eu faço.’

O hipócrita pode ser uma pessoa que precisa de ajuda psiquiátrica para buscar a solução para o que ele sabe ser certo e não consegue fazer.

Quem define o que é certo ou errado?

Na realidade tememos a rejeição da massa. O certo pode prejudicar a alguns e ajudar a maioria mas, quem quer prejudicar a qualquer um? O certo pode afetar a um e ajudar um todo. Mas quem quer prejudicar a um?

Gosto de usar o exemplo da guerra. Muitos evitaram combater a Alemanha de Hitler para evitar a morte de alguns. Mas, ao protelar a guerra, deixaram que morressem milhões. Queremos a paz, mas para ter paz pode ser necessário fazer a guerra.

Ou seja, o correto agora pode não ser o correto depois, ou o correto para o depois pode ser o que parece ser errado agora.

Na guerra uns morrem para que milhares vivam.

Na vida, nos sacrificamos hoje para que tenhamos uma melhor sociedade no futuro.

Texto de Fabiano de Abreu
Imagem: MATT SAYLES / AP PHOTOGRAPHER

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Fabiano de Abreu
Fabiano de Abreu Rodrigues é psicanalista clínico, jornalista, empresário, escritor, filósofo, poeta e personal branding luso-brasileiro. Proprietário da agência de comunicação e mídia social MF Press Global, é também um correspondente e colaborador de várias revistas, sites de notícias e jornais de grande repercussão nacional e internacional. Atualmente detém o prêmio do jornalista que mais criou personagens na história da imprensa brasileira e internacional, reconhecido por grandes nomes do jornalismo em diversos países. Como filósofo criou um novo conceito que chamou de poemas-filosóficos para escolas do governo de Minas Gerais no Brasil. Lançou o livro ‘Viver Pode Não Ser Tão Ruim’ no Brasil, Angola, Espanha e Portugal.