Gente ansiosa também ama.

Iandê Albuquerque

gente ansiosa também ama, o problema é que às vezes sentir nos sufoca.

a gente acha que precisa ser presente, o tempo todo, não somente porque a ausência incomoda, mas porque o silêncio faz a gente mergulhar em nossas próprias paranoias.

gente ansiosa também ama, ama pra caramba, ama tanto que se afoga no próprio querer, quer tanto que acorda mais cedo e dorme mais tarde. o sono foi dormir antes da gente, só porque o outro não respondeu a ultima mensagem.

ser ansioso é às vezes ter medo de si mesmo, é pensar que ando sentindo demais, ou me culpar por achar que não estou sentindo tanto.

é pensar o tempo todo que melhor fugir, deixar pra depois, que continuar nisso e se machucar outra vez.

é relembrar frequentemente das minhas marcas, é sentir o corpo pesado, é ter vontade de se trancar mas perceber que a minha intensidade esquenta o meu peito, e eu preciso continuar.

é querer ficar, mas ao mesmo tempo querer partir. não por indecisão, ou algo assim. mas por achar que a gente sempre fica só.

é olhar o outro disponível, e eu aqui, imaginando que só porque não falou comigo, deixou de me querer. é achar, o tempo todo, que eu vou perder quem eu amo. mesmo sabendo que a prioridade

é não me perder. é toda vez que tento me envolver com alguém, me sinto assim, tropeçando nos meus próprios pensamentos. e isso nada tem a ver com medo de me apaixonar, ou de ser intenso, porque sempre sou.

o receio é de perceber que o outro pode ir embora a qualquer momento e eu não quero mais uma vez passar por isso, e às vezes pra evitar, eu que vou.

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Iandê Albuquerque
Sou recifense, 24 anos, apaixonado por cafés, seriados e filmes, mas amo cervejas e novelas se houver um bom motivo pra isso. Além de escrever em meu blog pessoal e por aqui, escrevo também no blog da Isabela Freitas, sou colunista do Superela e lancei o meu primeiro livro em Novembro de 2014 pela Editora Penalux. .