Entender o que se passa na mente de alguém pode parecer uma tarefa complexa. Muitos acreditam que é preciso analisar gestos, postura corporal ou microexpressões para decifrar intenções.
No entanto, uma ex-agente especial dos Estados Unidos defende uma abordagem mais simples e, segundo ela, muito mais eficiente.
De acordo com a jornalista e ex-integrante do serviço de segurança americano, Evy Poumpouras, a chave para compreender alguém está no estado mental em que essa pessoa se encontra durante a conversa, e não nos movimentos do corpo.
Ler pessoas não é sobre gestos, é sobre foco mental
De acordo com Evy, toda interação humana acontece a partir de um “espaço mental”. Esse espaço define como a pessoa pensa, reage e se comunica naquele momento específico.
Ela afirma que, ao identificar esse ponto rapidamente, é possível prever reações, ajustar o tom da conversa e evitar conflitos desnecessários, tanto em ambientes pessoais quanto profissionais.
Os dois estados mentais que revelam tudo
Segundo a especialista, praticamente todas as pessoas alternam entre dois grandes estados mentais. O primeiro passo para uma comunicação eficaz é reconhecer em qual deles alguém está.
1. Foco na identidade pessoal
Quando a pessoa está operando a partir da identidade, o centro da conversa são as emoções, percepções e experiências individuais. Ela interpreta os acontecimentos de forma pessoal e reage com base no que sente.
Nesse estado, é comum o uso de expressões como:
- “Eu sinto”
- “Eu penso”
- “Na minha experiência”
Esse modo costuma surgir em momentos de insegurança, necessidade de validação ou quando alguém precisa ser ouvido. Não se trata de algo negativo, mas pode dificultar conversas objetivas se não houver equilíbrio.
2. Foco instrumental e orientado a resultados
No estado instrumental, a prioridade deixa de ser o sentimento e passa a ser a solução. A pessoa quer resolver o problema, cumprir a tarefa e seguir adiante.
Quem opera nesse modo tende a ser:
- Direto
- Prático
- Objetivo
Às vezes, esse comportamento pode soar frio, mas o foco está na eficiência, não na emoção. Evy explica que esse tipo de mentalidade foi fundamental durante sua atuação em ambientes de alta pressão, onde decisões rápidas faziam a diferença.
Por que tantos conflitos surgem nas conversas?
Segundo a ex-agente, muitos desentendimentos acontecem quando pessoas em estados mentais diferentes tentam se comunicar sem perceber isso.
Quem está focado nas emoções pode se sentir ignorado por alguém excessivamente direto. Já quem está orientado a resultados pode não entender reações emocionais intensas diante de um problema prático.
O segredo está no ajuste, não no julgamento
Evy reforça que ninguém permanece fixo em um único estado mental. O mais importante é reconhecer em qual espaço você está e identificar o do outro.
Essa percepção permite adaptar a comunicação, escolher melhor as palavras e tornar qualquer conversa mais clara, produtiva e menos desgastante.
Ler pessoas é aprender a ouvir além das palavras
Mais do que analisar gestos ou expressões faciais, entender pessoas exige atenção ao que guia suas ações naquele momento. Quando você identifica o foco mental do outro, a comunicação deixa de ser um jogo de adivinhação e passa a ser estratégica.
Às vezes, ler alguém é simplesmente entender de onde essa pessoa está falando.
Imagem de Capa: Evy Poumpouras

