Muitos consideram que usar vape é mais seguro do que fumar cigarro. No entanto, um estudo trouxe à tona dados alarmantes sobre os efeitos do cigarro eletrônico no organismo — e os resultados não são nada animadores.
O cigarro eletrônico surgiu como uma alternativa para quem queria abandonar o vício do cigarro tradicional. Com sabores atrativos e embalagens coloridas, rapidamente conquistou até quem nunca havia fumado. Contudo, o que era para ser um auxílio virou hábito diário e perigoso.
Pela primeira vez, cientistas fizeram uma análise comparativa, de longo prazo, entre os impactos do vape e os efeitos do cigarro convencional. A pesquisa avaliou o estado dos vasos sanguíneos e a qualidade do fluxo de sangue no cérebro em adultos saudáveis, entre 18 e 45 anos.
Os voluntários foram orientados a não fumar, vaporizar ou praticar atividades físicas por 12 horas antes dos testes. O objetivo era obter resultados precisos através de um exame chamado dilatação mediada por fluxo (FMD), que avalia o comportamento das artérias diante do aumento do fluxo sanguíneo.
O resultado surpreendeu até quem já esperava algum nível de prejuízo: os vapers apresentaram danos arteriais tão graves quanto os fumantes.
As leituras de FMD foram praticamente nulas, sinal claro de que as paredes das artérias estão comprometidas. Além disso, o fluxo sanguíneo cerebral também foi prejudicado em ambos os grupos.
O principal vilão continua sendo a nicotina, presente em cigarros e na maioria dos vapes. No entanto, os dispositivos eletrônicos ainda carregam uma combinação de metais pesados, propilenoglicol, glicerina vegetal e aromatizantes químicos.
Essas substâncias podem causar inflamações, estresse oxidativo e danos diretos às paredes dos vasos sanguíneos. Com o tempo, isso pode favorecer o acúmulo de placas de gordura, aumentando o risco de infarto, AVC e doenças cognitivas como demência precoce.
Outro fator é o uso contínuo. Enquanto o cigarro exige parar e acender outro, o vape não. Como ele pode ser usado em ambientes fechados e não deixa cheiro forte, os usuários tendem a exagerar na frequência.
De acordo com a médica responsável pelo estudo, Dr. Maxime Boidin, o uso descontrolado é o que mais preocupa:
“Quando você inala uma mistura de metais e substâncias químicas com tanta frequência, não dá para esperar que nada aconteça. O impacto no organismo é real.”
O estudo será oficialmente concluído no próximo mês, porém, os dados preliminares já indicam que os vapes não são mais seguros do que os cigarros tradicionais.
A recomendação dos pesquisadores é que o cigarro eletrônico seja usado apenas como ferramenta de transição para quem deseja parar de fumar, e sob supervisão médica.
Enquanto isso, representantes da indústria de vapes questionam os resultados, alegando que os dispositivos continuam sendo uma alternativa menos nociva. No entanto, os efeitos de longo prazo, agora mais evidentes, acendem um sinal de alerta.
Imagem de Capa: Canva
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