E quando acaba? O que fazer com o fim?

Carol Daimond

Sabe aquele momento do fim? Quando tudo está acabando e você sente que o fim se aproxima?

O amor já não fala mais alto, o coração fica apertadinho a cada novo telefonema e você simplesmente não sabe para onde ir e fica ali, remoendo esse final de história, apegando-se aos restinhos de sentimentos que, gota a gota, vão finalizando um processo.

Um sinal foi colocado para você e ele diz: ouça os seus sentimentos. Estamos passando por um momento em que, ser feliz é moda, basta correr os olhos nas vitrines virtuais, entre agora na sua rede social e me diga: você vê alguém triste? Alguém desempregado? Fotos dos boletos em atraso? Não, minha gente, as vitrines não mostram o que vem com o fim das relações.

Tudo precisa ser indolor, rápido, sem gosto e sem cheiro porque não dá tempo de esperar. Cuidar do jardim, para quê, se você pode seduzir as borboletas com promessas vazias de uma vida muito mais interessante para quem vê?

Essa é a proposta que a gente compra, sem perceber. Ficamos olhando o vazio das redes sociais, iludidos com a felicidade a todo custo e nos distraímos dos nossos sentimos, perdemos a grande oportunidade de elaborar essa dor e conhecer um pouquinho mais do Universo que carregamos dentro.

Mas vamos pensar pelo outro lado: se você se permite vivenciar o fim você deve sentir que quando um relacionamento acaba, parece que um pedacinho da gente vai junto com ele…

Todos os sonhos, promessas a dois, projetos formulados com tanto carinho, tudo indo assim, por água abaixo, tanto empenho por nada. E o que sobra é um medo danado do futuro em carreira solo e uma dorzinha da gente mesma, aquela sensação de ‘ai de mim’.

Às vezes, a gente até pensa que perdeu tempo, mas eu acredito que esse sentimento está mais relacionado ao futuro do que ao passado, porque todos aqueles momentos incríveis terão que ser apagados momentaneamente para amenizar um pouquinho da dor e, assim, a gente sabe que o futuro, incerto como ele só, nos reserva lembranças de um passado que poderia ter sido, então, empenhamos nossa energia no medo da solidão.

Quem é que nunca disse aquela frase drama: “Eu nunca mais vou encontrar ninguém”. Tem gente que gosta de ficar sentindo aquele amor que poderia ter sido, mas que já deixou de ser há muito tempo, mesmo antes de tudo chegar ao fim, e essas pessoas não enterram seus mortos, guardam e mantém suas cinzas em uma caixa bem decorada, levando com elas para onde for, assim fica mais fácil lembrar de sentir pena de si mesma.

O que é muito sério e necessário é que: precisamos enterrar nossos mortos, precisamos do luto e isso só se faz quando entendemos os nossos mecanismos internos, o que não acontecerá enquanto você estiver vivendo a ideia de que não pode sofrer, de que é feio chorar, de que é melhor colocar logo uma roupa e sair para badalar, dessa forma o amor da próxima esquina, sempre será o próximo amor.

Dói demais, a gente sabe disso, terminar processos, sejam eles quais forem, dói demais. Um buraco se põe dentro do nosso peito e nós ficamos perdidos, sem saber bem para onde ir.

Quando chega a noite e nada aconteceu parece que o mundo vai acabar ali dentro do seu quarto e nada, nada que você tome alivia essa dor.

Já pensou em usar esses momentos para desconstruir, deixar cair por terra tudo que você sedimentou nessa relação que já não faz mais sentido pra você, desapegar de vez do ‘e se?’ e assim, depois de tudo posto, construir algo novo, sem pressa e nem ansiedade, deixar-se florescer.

Fortalecer seus instintos e se conectar com a sua essência e essa é, no fim das contas, a nossa verdadeira busca enquanto seres espirituais: reconhecer a nossa essência.

Construir a partir da relação consigo mesmo (a), elaborar os sentimentos, deixar ir embora – sem julgamento – os sentimentos que você nega e, lembre-se, o que resistimos: persiste, portanto, deixe a leveza ser o seu guia na finalização de processos.

O amor, aquele que é próprio, sempre vence no final da história. Lembre-se de usá-lo na sua construção. E como fazer isso? Comece conhecendo você, vá agora para frente do espelho, olhe nos seus olhos e faça a pergunta: o que você quer fazer agora?

Eu lhe garanto, uma grande chama de poder começa a despertar quando você dedica seu tempo para a divindade que habita seu ser. Permita-se!

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Carol Daimond
Carol Daimond, mineira de Divinópolis, bacharel em Direito e apaixonada pelas palavras entrelaçadas, mãe, mulher e terapeuta thetahealer, uma mistura de mulher que a cada dia se reinventa em busca da sua melhor entrega em partilha para o mundo. Sua jornada como escritora começou de brincadeira e tem se tornado cada dia mais a sua marca pessoal de verdade e essência.