É necessário, antes de mais nada, saber diferenciar a razão de nossa existência, das fantasias criadas pelos nossos desejos.

Nós, a todo momento, criamos fantasias que visam uma realidade ficcional, e apenas as publicar em nossa rede social, não faz com que as concretizemos de fato.

Muitas vezes, nossos desejos ultrapassam o bom senso e passamos a fantasiar um cotidiano que vai muito além da nossa verdadeira necessidade, passa pelo conforto, chega ao luxo e atinge a ostentação.

A verdadeira razão de nossa existência é a sobrevivência e a perpetuação da espécie; e a isso estamos condicionados. Por isso, diariamente estamos a rodar um programa impresso em nosso código genético.

A prova disso, são as disfunções neuronais que provocam doenças mentais, já que o nosso organismo utiliza as mesmas funções instintivas para funções inventadas por nós que nos molda a nossa sociedade pós moderna.

As fantasias que criamos e a nossa incapacidade de aceitar a realidade

Ansiedade, agonia, transtornos, tristezas, insuficiência, entre outros sentimentos que nos afetam, a maioria, foi inventado por nós, ou é resultado da nossa falta de capacidade em lidarmos com uma realidade natural.

A pandemia nos mostrou isso, mas nem todos conseguiram enxergar que não somos máquinas, não somos superiores, não somos nossos objetos. Somos humanos, frágeis e orgânicos.

Para nos proteger e para não deixar essa nossa “fragilidade” destruir a espécie humana, desenvolvemos a inteligência. O nosso cérebro é e sempre será a melhor ferramenta para sobrevivermos e evoluirmos, já que temos um corpo frágil, mas aproveitamos bem as vantagens de sermos bípedes.

O nosso sofrimento surge da percepção que temos da realidade; e esta advém da razão, que vêm da consciência.

Localizada no lobo pré-frontal, região do uso da inteligência emocional, da cognição e de todas as suas funções executivas, é responsável pelas escolhas e decisões que tomamos, baseadas nos julgamentos e interpretações que fazemos.

Nosso desafio é ter paciência, sermos racionais e criarmos estratégias para o presente, já que o futuro, como diz a cultura popular, a “Deus pertence”.

Não digo para parar de pensar no futuro, mas para criar metas possíveis e alcançáveis. Quando criamos planos críveis começamos a liberar a dopamina necessária que produz o humor que nos impulsiona e nos motiva a seguir adiante.

Se não tivéssemos a dopamina (hormônio da recompensa), não teríamos o prazer da conquista, então, não buscaríamos nada novo, nem teríamos força de vontade para seguir adiante. Simplesmente não teríamos disposição para nada, nem mesmo comer.

Se não nos sentíssemos ansiosos não nos levantaríamos para buscar coisas novas, e não liberaríamos dopamina. Mas estamos usando esses componentes de forma diferente da necessidade real que é sobreviver, e garantir a perpetuação da espécie. Estamos liberando a todo o tempo, pois vivemos fantasiando com excesso novas conquistas, muitas, irrelevantes. E esse desejo descontrolado acaba aumentando a nossa ansiedade que passa a liberar mais dopamina, e acabamos chegando a um ponto de desequilíbrio: o vicio.

O que acontece é que nosso organismo não diferencia a nossa necessidade real, daquela criada por nós, por nossos desejos e fantasias, e acaba fabricando componentes químicos da mesma maneira.

A solução

Devemos fazer um bom uso das ferramentas que todos temos disponíveis e cultivar a paciência, alimentar a inteligência, a observação, fazer uma boa avaliação sobre os próprios desejos, praticar a solidariedade, sentir compaixão, desenvolver uma visão de futuro, preservar a esperança e fazer o que é possível com a responsabilidade necessária que este momento exige.

Se a sua preocupação hoje é que a sua empresa não vai bem, o excesso de preocupação fará com que outra área da sua vida seja afetada também: a sua saúde como vai?

Sem saúde não há empresa, não há família feliz, não há vida que se sustente.

A empresa, os bens materiais, são importantes, mas não são a sua vida, ela poderia te dar condições de saciar os seus desejos e de implementar as suas fantasias mais secretas, mas a empresa não vai te devolver a saúde, porém, as preocupações que ela te causa, podem fazer com que você a perca para sempre.

O falido se reergue, o falecido não!

A questão hoje é se preparar para se reinventar, seja no trabalho ou nos pensamentos.

Se recicle, se reinvente, pense com bom humor, se apoie, se acolha e principalmente, coloque em prática sonhos possíveis, prefira a simplicidade, e cresça continuamente sentindo gratidão pelo que você já conquistou, e pela sua vida.

Mire no exemplo da natureza, foque no que te faz bem, se alimente bem, faça exercícios, leia bastante, aprenda e compartilhe o conhecimento, a razão da sua existência depende disso, depende de quanto bem você faz a si mesmo e aos outros.

Esse mero detalhe te levará a uma sensação de bem-estar indescritível, melhor do que qualquer fantasia que você já teve na vida.

*Texto de @fabianodeabreuoficial – Doutor e Mestre em Psicologia da Saúde pela Université Libre des Sciences de l’Homme de Paris; Doutor e Mestre em Ciências da Saúde na área de Psicologia e Neurociência pela Emil Brunner World University; Mestre em psicanálise pelo Instituto e Faculdade Gaio, Unesco; Pós-Graduação em Neuropsicologia pela Cognos de Portugal; Três Pós-Graduações em neurociência, cognitiva, infantil, aprendizagem pela Faveni; Especialização em propriedade elétrica dos Neurônios em Harvard; Especialista em Nutrição Clínica pela TrainingHouse de Portugal. Neurocientista, Neuropsicólogo, Psicólogo, Psicanalista, Jornalista e Filósofo integrante da SPN – Sociedade Portuguesa de Neurociências – 814, da SBNEC – Sociedade Brasileira de Neurociências e Comportamento – 6028488 e da FENS – Federation of European Neuroscience Societies – PT30079.
E-mail: [email protected]

**Foto de Daniel Schaffer no Unsplash

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Fabiano de Abreu Rodrigues é psicanalista clínico, jornalista, empresário, escritor, filósofo, poeta e personal branding luso-brasileiro. Proprietário da agência de comunicação e mídia social MF Press Global, é também um correspondente e colaborador de várias revistas, sites de notícias e jornais de grande repercussão nacional e internacional. Atualmente detém o prêmio do jornalista que mais criou personagens na história da imprensa brasileira e internacional, reconhecido por grandes nomes do jornalismo em diversos países. Como filósofo criou um novo conceito que chamou de poemas-filosóficos para escolas do governo de Minas Gerais no Brasil. Lançou o livro ‘Viver Pode Não Ser Tão Ruim’ no Brasil, Angola, Espanha e Portugal.