É normal ir ao encontro da tristeza. Apenas não se demore por lá.

Luciano Cazz

Tristeza não é fraqueza, é sinal de que você tem sentimentos. Que é um ser humano passível de amor. Mais do que isso, o sofrimento é aprendizado.

Ficar deprimido não lhe faz uma pessoa negativa, mas humana. Entretanto, nunca deixe que alguns dias ruins lhe façam acreditar que a vida toda não é boa e que já não é mais possível ser feliz.

É normal ir ao encontro da tristeza. Apenas não se demore por lá.

Tudo bem ficar triste se as coisas não aconteceram do jeito que você queria. Se a grana não deu. Se não foi bem na entrevista de emprego ou a promoção no trabalho não saiu. Ninguém é de ferro.

Nos preparamos para tudo com o intuito de que dê certo, e a frustração sempre é uma possibilidade, sim, mas entender isso não nos impede de sentir o baque.

Tudo bem se você perdeu a calma com uma ofensa ou se exaltou diante de uma injustiça. Faz parte perder a paciência com quem insiste em incomodar, outras vezes, nos excedemos por medo. De viver, de perder, de ser rejeitado. Mas calma, você não tem nervos de aço para aturar o pior da vida sempre. Só tenha mais controle da próxima vez.

Tudo bem ficar magoado se alguém o desapontou. Se, depois de tudo que você fez, o seu retorno foi a ingratidão. Não há mal algum em ficar decepcionado se as pessoas não são como você as imaginava. E quando quem mais você ajudou lhe vira as costas no momento que você mais precisa, machuca bastante, sim, porque no seu peito não bate um coração de pedra. Inatingível, inabalável. Bate um coração humano, sensível que deseja e necessita afeto dos outros, compreensão e paz. Que dói diante da traição, da maldade e, também, cansa de sofrer.

Então, não se condene por estar cabisbaixo, com o humor triste e sem vontade de falar com os outros após um dia ruim. Faz parte ficar irritado depois de uma sucessão de imprevistos desagradáveis ou de tentativas frustradas. A angústia bate no peito e a ansiedade também. Afinal você não tem uma alma gelada. E é capaz de sentir fundo cada paulada da vida.

E, então, chora. Mas também não tem problema se a dor lhe fizer se debulhar.

Às vezes, as lágrimas são as palavras que o coração não consegue dizer.

Então, coloque para fora mesmo. Alivie o peito para que ele esteja pronto para recomeçar, porque esse choro que escorre pela sua face refloresce a paz na sua alma assim como a chuva que cai do céu fertiliza a natureza. E os frutos gerados dessa mágoa são a reflexão, a compreensão, a maturidade, uma nova visão sobre as coisas e o mundo.

Tristeza não é fraqueza, é sinal de que você tem sentimentos. Que é um ser humano passível de amor. Mais do que isso, o sofrimento é aprendizado.

É o grande triunfo do universo para que possamos evoluir como seres humanos. A dor nos ensina mais do que o erro do outro, porque a verdadeira mudança acontece quando temos que juntar os cacos do nosso próprio coração. É o momento em que a gente para e pensa sobre tudo e entende que não é a tristeza que nos define, mas nossa coragem e determinação.

Por isso, não tem problema ficar na sua, ter uma manhã de mau humor ou um momento só para si. Permita-se desabafar, desabar em lágrimas e ficar na cama o dia inteiro sem vontade de fazer nada. Se dê um tempo antes de continuar, sem culpa, de alguém, de alguma situação. Pare para respirar um pouco e desestressar. Mas impeça que a tristeza crie raízes no seu coração, que ela se mude de mala e cuia para os seus pensamentos.

Porque a tristeza pode até ser o preço que a gente paga pela felicidade. Mas nunca será a condutora da nossa vida. Por isso, não se demore com ela, levante e saia para o mundo, afinal, ainda há muita vida lá fora esperando para lhe fazer sorrir. Busque o que te faz alegre sem jamais esquecer que a tristeza acontece nos bons corações e pode até acabar com seu dia, mas jamais permita que ela diminua a sua alma.

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Luciano Cazz
"Luciano Cazz é publicitário, ator, roteirista e autor do livro A TEMPESTADE DEPOIS DO ARCO-ÍRIS." Quer adquirir o livro? Clique no link que está aí em cima! E boa leitura!