Dias depois, um amor… Com ele vieram dúvidas, medo por nós dois, e insegurança.

Ana Paula Manzolli
    Dias depois, um amor. Dias depois, dúvidas, medo por nós dois, e insegurança.

Aí tudo começou a fazer sentido, num bar, nosso olhar se encontra, você some e um papelzinho minúsculo com um número de telefone aparece, junto, uma inesquecível dúvida de quem era você.

Dias depois de pensar, imaginar sua vida, seu jeito, sua profissão, porteiro, vendedor, professor de academia, Uber, cantor, advogado, houve aquele encontro com um frango sem graça, feito na panela de arroz, vinho que você tomou fazendo careta e nem percebia, e uma conversa deliciosa sobre a vida.

Conhecer o novo foi a melhor sensação.

Foi uma mistura de vontade de falar mais, com te beijar, foi o medo porque algo lá dentro dizia ” é ele”, e um beijo depois de “celinho”, porque língua a gente não tinha de tanta timidez ou sei lá o que, cá estava eu apaixonada.

Seu cheiro, seu toque em mim, sua voz que você não gosta muito, me fizeram querer morar naquele momento.

Dúvidas, medo, insegurança não foram limitantes para os próximos momentos.

Desde o celinho, você veio quase todos os dias e arrancou de mim a melhor sensação de existir, me fez querer viver tudo de forma intensa, me fez querer cuidar de você, te proteger, te dar conselhos. Me fez querer você mais e mais.

Os beijos ficaram mais longos.

E você onde estava, o que sentia?

Todas as minhas dúvidas se você realmente estava em sintonia com aquilo tudo, eram tiradas por você pelo “princesa”, pelo “bebe água minha linda”, “amor você é tão linda sabia”, pra mim você é perfeita.

Tantos “eu te amo”, tantos “estou com saudade”, tantos “quero te ver logo”.

E o tempo foi passando, a gente não foi enjoando, pelo contrário, queríamos mais e mais, mercado, padaria, falamos mais que o “homem da cobra”, riamos das nossas confusões e esquecimentos.

O amor era vivido e sentido todos os dias, até que você trouxe dúvidas, trouxe o medo pra nós dois, trouxe insegurança.

Foi embora viver a relação que tinha acabado num outro momento de sua vida, porque achava que o que vivíamos era mais perfeito que você podia acreditar.

Um mês cravado, numa manhã de segunda você voltou dizendo: você é o meu amor, não quero perder isso.

E assim foi, entre idas e vindas de medos e insegurança. Todo o nosso brilho diminuía todas as vezes que você deixava sua dúvida invadir a nossa felicidade.

Sempre no auge da alegria, os boicotes eram grandes e depois de um eu te amo tão intenso, abraços longos durante a noite ou ao acordar seguidos de frases como : “é você que eu amo”, “quero você pra sempre na minha vida”, vinha o “não estou bem comigo, vamos terminar”.

E eu o que fazia?

Sentia medo de te perder, lutava sem cessar, fui até julgada por lutar por um amor, porque isso hoje em dia é sinal de fraqueza, feio, ninguém luta mais, as pessoas viram a página de um amor e vão procurar algo para fazer, como se tivessem desistido de um doce na padaria.

Até que chegamos no “gran finale”.

Você sem cuidado e carinho, sem olhar em meus olhos disse “não é amor” preciso seguir sozinho. Mas antes, vale lembrar que mais uma vez estávamos no momento mágico, dito por você diversas vezes, e vivido por nós, nos encontros de tapiocas e mil vezes levantando para pegar algo que esquecemos de colocar na mesa do café onde andávamos 5 kilometros. Era sempre muito divertido.

E meu coração ficou do tamanho daquele papelzinho, todas as dúvidas de quem era você vieram a tona de novo.

Os conselhos que recebi não batiam com o real, porque a gente não era um casal comum, então não dava para comparar com os “homem é assim”, “eles são todos iguais”, arruma outro e esfrega na cara dele”, não corre atrás não.

Enfim, nada faz sentido agora, nada combina com nada, nem você faz sentido, suas ausências de respostas, sua frieza e a minha insegurança, mas eu aquela “menina sentadinha ali no bar que não queria nada com nada” ainda continua aqui.

Lógico, cresceu com seus conselhos, amadureceu com as dores, mas o coração ainda é de menina. E dias depois, ainda acredita no amor de verdade, aquele de filme, aquele do nosso filme, aquele sentido por nós quando a gente dizia “a gente é muito perfeito” quando espalhamos risadas e abraços pela casa.

Os filmes de gritaria, as noites de idas incontáveis ao banheiro por que você me fazia beber muita água. Às dores de cabeça duplas e as vontade loucas de fazer amor de madrugada e suas visitas de formigão comendo biscoitos.

E dias depois, eu te peço, amor faz um favor, devolve o papelzinho ao garçom e diga: neste papel contém um sonho que eu não posso viver. É muito grande, não cabe aqui dentro tanta coisa maravilhosa.

E dias depois, a gente apaga tudo e finge que não viveu essa história.

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