Deus, como posso me reconstruir?

Acho que a pergunta do título desse artigo é uma daquelas perguntas que fazemos na hora do desespero, quando tudo parece perdido e impossível.

Cris Souza Fontes

 

Não venho falar de religião, caso você se assuste com a ideia. A crença em um Deus é sua, é minha e mesmo que algumas pessoas não creiam n’Ele, não será sobre Ele em si que falarei agora, apesar de eu pensar que Ele está em tudo. Venho falar daquele momento em que você se quebrou. Vou falar daquele instante em que você se partiu em tantos pedaços que agora não faz a menor ideia de como se juntar e continuar.

Veja bem, nascemos, crescemos, aprendemos, agimos, sentimos… e, nisso tudo, a vida vai nos mostrando como é que as coisas funcionam, como é sua realidade e se gostamos dela ou não. Na maioria das vezes, não gostamos, né? É.

Somos geniosos, sonhadores, teimosos, queremos tudo do nosso jeito e a vida sempre vem e mostra, por meio das pessoas, que nada é como tudo aquilo que idealizamos, que imaginamos em nossas cabecinhas, e isso sempre nos destrói um pouco. Ou muito.

Já tivemos o coração partido, já nos decepcionamos, acreditamos e fomos enganados, criamos expectativas, fomos rejeitados, humilhados, feridos, ofendidos e tantas outras coisas que não cabem numa listinha e sim em um caderno inteiro das tragédias da vida humana.

Então nós nos vemos no fundo do poço, quebrados, completamente destruídos e não sabemos como sair dessa situação.Sei que algumas pessoas nem querem sair dela por achar que sofrer é tudo o que se merece. Valha-me, Deus, quem merece sofrer? Será que nascemos mesmo para sofrer ou somos nós que, de tão tolos, causamos os próprios sofrimentos? Hã? Mas, enfim. Que seja como for, da forma que for. No fim, todos nos quebramos mesmo. Mas a real agora é outra: como nos reconstruir depois de estar em cacos, com o emocional abalado, o físico trêmulo e doente por tanta dor da vida?

Quatro passos para a autorreconstituição:

Primeira coisa: respire fundo!

Enquanto você treina sua respiração, você acalma seus pensamentos e enquanto o ar circula, novas sensações são geradas, possibilitando que o bem venha, que a paz se aproxime e que, feito mágica, você se reconstrua. Existem vários exercícios de respiração na internet, diversas técnicas de meditação, yoga, terapias holísticas, etc., porque, na verdade, a primeira coisa que você precisa fazer é respirar para acalmar sua mente que, de tão perturbada, só consegue visualizar o mal que viveu.

Segunda coisa: mude o seu foco!

Se tudo em que você consegue pensar é que foi destruída, quebrada e que está sofrendo, digo que continuará da mesma forma, porque atraímos aquilo que pensamos e, por mais trágico que tenha sido o nosso problema, pensar nele só vai fazer com que continue nele, e o que você quer afinal? Sair dele, não é? Então será preciso que ocupe sua mente com outras coisas para que não passe o dia inteiro remoendo o que o fez sofrer. Não há ferida que se cicatrize se você continuar mexendo nela! Por causa disso, vai a terceira coisinha…

Terceira: não mexa no lixo!

Se é se reconstruir o que você quer, então nada de mexer na lixeira para procurar coisas que ficaram lá, ou seja, redes sociais, fotinhos, mensagens, tudo que lhe lembre a situação vivida precisará ser removido até que você tenha condição de enfrentá-la, sem fragilidade.

Quarta coisa: olhe pra você!

Quando você se quebrou, perdeu-se completamente de você mesma, não foi? Deixou-se, esqueceu-se, aceitou uma vida infeliz e todo o seu sofrimento. Agora, então, é hora de voltar a pensar em você. Olhe-se no espelho, mude o corte de cabelo, arrume-se, goste-se, ame-se, abrace-se sempre e diga para si mesma que você merece ser feliz, pois é um ser humano perfeito que apenas passou por uma situação ruim, e não que a vida toda seja ruim, isto é, vai passar, sempre passa.

Quero deixar aqui bem clara uma única ideia: é possível se reconstruir sim, é possível voltar a ser feliz depois de uma grande tristeza, de um imenso sofrimento, de ter se dilacerado de dor.

A vida é feita em ciclos, e a cada ciclo, uma lição. Não é à toa que enfrentamos situações difíceis, não é à toa que nós nos quebramos.

Para cada acontecimento na vida há uma lição, e cabe a nós compreendermos qual a nossa lição, o que aprendemos com tudo o que vivemos. De forma alguma fomos criados para levar uma vida de dor constante. Nada disso! Passamos pela dor para que moldemos o nosso eu, para que possamos descobrir o melhor que existe em nós. Esse é o único propósito.

Agora, onde estiver, vivendo o que estiver vivendo hoje, lembre-se: você é muito maior que tudo o que está passando. E creia que tudo isso logo passará e você viverá dias muito melhores e transformadores.

Paz!

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Cris Souza Fontes
Escritora, blogueira, amante da natureza, animais, boa música, pessoas e boas conversas. Foi morar no interior para vasculhar o seu próprio interior. Gosta de artes, da beleza que há em tudo e de palavras, assim como da forma que são usadas. Escreve por vocação, por amor e por prazer. Publicou de forma independente dois livros: “Do quê é feito o amor?” contos e crônicas e o mais espiritualizado “O Eterno que Há” descrevendo o quão próximos estão a dor e o amor. Atualmente possui um sebo e livraria na cidade onde escolheu viver por não aguentar ficar longe dos livros, assim como é colunista de assuntos comportamentais em prestigiados sites por não controlar sua paixão por escrever e por querer, de alguma forma, estar mais perto das pessoas e de seus dilemas pessoais. Em 2017 lançará seu terceiro livro “Apaixonada aos 40” que promete sacudir a vida das mulheres.