Desejar que os demais sejam felizes se reflete no nosso bem-estar

Desejar que os demais sejam felizes diz muito sobre os nossos corações. Porque quem celebra as alegrias alheias com autenticidade não sente a sombra da inveja e está livre de frustrações ou egoísmos. Desejar a felicidade sem olhar a quem, além de tudo, se reflete em nossa saúde.

Resiliência Humana

Por: A Mente é Maravilhosa

Desejar que os demais sejam felizes não custa nada e diz muito sobre nós. Além disso, este tipo de olhar pessoal verdadeiro se reflete em nosso bem-estar.

No entanto, de vez em quando encontramos pessoas que pensam o seguinte: “Quero que você seja feliz, mas não mais do que eu”. Essas são pessoas que contradizem o princípio da interconexão humana.

A maioria de nós já teve uma experiência similar. Uma experiência na qual nos aproximamos de alguém que pensávamos que era significativo, a quem podíamos dar uma boa notícia, compartilhar as coisas ou contar sobre algo bom que tivesse acontecido.

No entanto, na hora, percebemos o tom de voz, uma certa falsidade ou incômodo que imediatamente revela uma falha na conexão; uma dissonância em emoções e reciprocidade.

Sentir mal-estar diante da felicidade alheia revela algo mais profundo do que a sombra da inveja. Às vezes, é um golpe para a autoestima.

Também é tomar consciência de que os outros conseguem superar e alcançar metas enquanto nós continuamos cercados por inseguranças. Não é fácil tolerar a alegria alheia quando a frustração é uma constante em suas mentes.

Desejar o bem-estar do outro e celebrar os triunfos dos demais é um exercício de bem-estar. Não tem nada a ver com princípios éticos, morais, religiosos ou espirituais. Na realidade, por trás deste desejo expresso há uma base psicológica muito válida e interessante explicada por alguns estudos científicos.

“O amor é a condição na qual a felicidade da outra pessoa é essencial para si mesmo”.
– Robert A. Heinlein-

Desejar que os demais sejam felizes: o altruísmo que emerge de um coração tranquilo e proporciona bem-estar

A Universidade do Estado de Iowa, nos Estados Unidos, realizou um estudo muito interessante e, ao mesmo tempo, curioso. O doutor Douglas A. Gentile e sua equipe do departamento de psicologia selecionaram um grupo de pessoas que tinham sido diagnosticadas com estresse e ansiedade.

Eles os treinaram por vários dias com uma técnica bastante simples que levou a bons resultados:

  • Tratava-se, simplesmente, de sair para caminhar por 15 a 20 minutos diariamente;
  • Enquanto faziam isso, executavam o que se conhece como a técnica kinhin, que consiste em um exercício de meditação enquanto a pessoa anda, corre ou realiza algum tipo de prática física;
  • Da mesma forma, enquanto estes pacientes faziam esta caminhada, os psicólogos lhes pediram que tentassem sentir bondade, calma e bem-estar.


Para isso, pediram que simplesmente desejassem felicidade para todas as pessoas com quem cruzassem durante o trajeto. Assim, o simples fato de projetar nos outros um desejo expresso de bem-estar e positividade se refletia, por sua vez, em seu próprio bem-estar.

A mente reduzia a carga obsessiva das preocupações e pensamentos obsessivos. A calma interna e o fato de focar em um sentimento de afeto geravam conforto e satisfação.

Limpar pensamentos através do olhar da bondade

O doutor Douglas Gentile provou três coisas com este experimento. A primeira é que o nível de ansiedade e estresse se reduzia de forma significativa, e que isso acontecia não só pelo simples exercício físico.

Bastava mudar o diálogo interno da pessoa e, antes de tudo, seu enfoque emocional. Era só passar da negatividade interna para estimular um esforço mental para projetar bondade.

Desejar que os demais sejam felizes, sem importar que quem cruzasse seu caminho fosse um completo estranho, aumentava sua empatia e os sentimentos de conexão.

De repente, prestavam mais atenção aos rostos alheios, abriam seu olhar para o exterior e, em especial, para o fator humano para se conectar com ele.

Desejar que os demais sejam felizes nos livra de pesos desnecessários

Na psicologia, falamos do efeito bumerangue para explicar como alguns atos, palavras ou pensamentos geram algum tipo de consequência. Assim, algo tão elementar como sermos capazes de desejar que os demais sejam felizes sempre tem um impacto em nós mesmos.

Há uma recompensa emocional e também há um tipo de catarse. Vamos pensar sobre isso; imaginemos, por exemplo, que temos um companheiro de trabalho muito invejoso.

É uma daquelas pessoas que sempre nos olha de soslaio demonstrando um certo incômodo com a forma como trabalhamos e com a nossa competência profissional.

Se imitássemos o seu comportamento, criaríamos uma retroalimentação na qual o mal-estar, o negativismo e a confrontação nos levariam a um estado de estresse bastante incômodo.

Por outro lado, desejar o bem a essa pessoa nos relaxa. Aceitar que cada um é como é e desejar que ela seja feliz dentro de suas possibilidades tira muitos pesos das nossas costas , limpa a nossa mente e evita hostilidades inúteis.

Portanto, o famoso ditado que diz “Faça o bem sem olhar a quem” também pode ser reformulado como “Deseje a felicidade sem olhar a quem”.

Porque o simples fato de projetar pensamentos positivos melhora a nossa química cerebral, muda o diálogo interno e nos obriga a fazer um esforço mental para nos abrimos um pouco mais aos demais. Sendo assim, que tal colocar em prática este simples conselho de saúde e conexão humana?

“Busque o bem-estar do máximo de pessoas e, frequentemente, verá estas pessoas com os rostos cheios de alegria”.
– Alessandro Manzoni-

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