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A cultura do sadismo exige vigilância, pois os sádicos estão entre nós…

O sadismo é um desejo de sentir prazer provocando dor nos seres vivos. O termo derivou do nome do famoso escritor Marquês de Sade. Apesar da obra de Sade apresentar conotações sexuais, o sadismo não é um caráter exclusivo de pervertidos sexuais ou serial killers.

As pessoas que demonstram certo grau de sadismo estão por toda a parte e são mais comuns do que pensávamos. Como constatou o psicanalista Erich Fromm: “Muito mais comum é um sadismo frio, o qual não é em absoluto, sensual e nem tem nada a ver com sexualidade, mas ainda exibe a mesma qualidade essencial do sadismo sensual e sexual: seu objetivo é a dominação, o controle sobre outra pessoa, moldando-a como o oleiro trabalha o seu barro”.

Além disso, eles têm júbilo em ver, ouvir e ler desgraças e tragédias que ocorrem no cotidiano, replicando tudo nas redes sociais. E também gostam de insultar quem está na internet, apenas pelo prazer de trollar as conversas online.

Do mesmo modo, os sádicos adoram machucar os animais, como por exemplo: caçar passarinhos, chutar cachorros e ainda praticam a negligência intencional, deixando os animais sem água e sem alimentação.

Outra forma de praticar a cultura do sadismo é a violência doméstica, que é realizada de maneira escancarada ou disfarçada, praticada dentro de casa contra crianças, adolescentes, idosos e mulheres que são vítimas de agressão física, sexual e psicológica.

O bullying é outra prática de sadismo, que agride e aterrorizam de propósito pessoas ou grupos, de modo recorrente e metódico. Esses tipos de sádicos sentem gozo em fazer isso, tanto no espaço público, privado ou virtual.

No ambiente profissional, os sádicos gostam de discriminar os colegas de trabalho e de sabotar a propriedade financeira e intelectual das empresas, a fim de ver a falência dos patrões.

Os indivíduos sádicos quando possuem cargos de autoridade abusam do poder, no sentido de tratar de maneira grosseira e desrespeitosa: crianças, idosos, pessoas com deficiências, prisioneiros, pacientes, entre outros, que necessitam do atendimento dos serviços públicos.

Na lista dos piores sádicos estão os políticos corruptos, que prejudicam o bem-estar dos brasileiros, sobretudo dos mais pobres. O dinheiro público que foi roubado faltará para os investimentos na saúde, educação, segurança, entre outros direitos essenciais à vida, ferindo de morte a Constituição e ampliando a exclusão social e econômica no País.

Fromm resumiu o caráter do sádico: “Não sente piedade e nem compaixão, como qualquer pessoa normal, e tampouco compartilha da repulsa da pessoa normal ante a própria ideia de agredir alguém em indefeso. Pelo contrário, a impotência é qualidade que estimula o sádico porque anuncia a possibilidade de absoluto controle ao seu alcance.”

A cultura do sadismo não é apenas scripts de filmes, mas um desejo doentio que exige vigilância, pois os sádicos estão entre nós. Se você conhece alguma uma pessoa sádica? Não se submeta a ela em nenhuma situação, uma vez que o sádico irá parasitar na sua vida até o seu corpo, a sua alma e seu espírito definhar.

Jackson César Buonocore é sociólogo e psicanalista

Jackson César Buonocore

Sociólogo e Psicanalista

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