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Cuidado com o que você fala, as palavras também ferem

Quem nunca falou um monte de bobagens na hora da raiva e viu que não tinha mais conserto? Sim, eu também. Muitas vezes, lamentavelmente.

Faz mais ou menos uns dois anos que eu realmente mudei. Achava que a sinceridade tinha que vir com grosseria, mero engano. Perdi mais pessoas do que ganhei quando era rude com as palavras. Mas fui aprender a ser diferente quando passei a observar mais os outros quando estive do lado de cá. Do que apanha e não bate. Apanhei muito!

Sempre fui muito rápida com respostas. Nunca fui de guardar sentimentos, muito menos de chateação e raiva. Jogava na cara como se fosse lindo. Era ridículo. Mas amadureci.

Acreditei que mudando não perderia tantas pessoas, mas me enganei novamente. Vi que também perdemos quando engolimos sapos, quando não respondemos ou quando evitamos uma briga. Isso porque sofremos, não aguentamos o peso de certas palavras ou grosserias. Não somos obrigados a conviver com quem nos trata dessa forma. Certo?

De repente me tornei muito sentimental e boba, ou talvez tenha aprendido aquela frase “as palavras têm poder”, tem mesmo.

As palavras machucam e mesmo pequenas têm um significado intenso, ainda mais da forma que ela vem. Pedra, papel e tesoura, nunca uma forma confortável. É realmente para machucar e no final ter um ego vencedor.

Hoje eu prefiro mil vezes ser um perdedor de discussões. Ouço, não discuto e procuro pensar muito em cada palavra antes de responder algo. Sei como é guardar a flecha que te atingiu. Eu poderia atirá-la de volta, mas seria igual, e tudo o que quero é ser alguém melhor, diferente. É uma escolha.

Deixo pessoas para trás na esperança de que um dia a vida mostre que é importante evoluir. Engulo sapos atrás de sapos, pois não sei mais viver com o peso na consciência de que magoei alguém com algo que eu disse.

Às vezes, até escapa uma palavra ruim, mas se redimir e desculpar-se é imprescindível. Tenho orgulho do que me tornei, mesmo parecendo mais boba. Eu sei o que a vida me fez colher, de tudo o que plantei, e não, não tem como fugir desse ciclo.

Aline Felix

Nascida em 1989, na cidade de São Paulo é formada em jornalismo pelas Faculdades Integradas Rio Branco. Blogueira e metida a escritora é apaixonada por prosas, crônicas e contos. Seus sentimentos e pensamentos ela expressa em seu blog “pelos olhos da cidade”. Dedicada, esforçada, exageradamente dramática e otimista, procura ver a vida de uma forma simplista. É uma antítese incessante.

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