Não se cura um coração partido. Um coração não se parte: ele permanece inteiro, mesmo que dolorido, quando alguém se vai. E a dor de tão abstrata torna-se física, porque foi aberta ali uma fissura de saudade, desilusão, desesperança. É feito uma febre alta que precisa ser medicada: pelo tempo, pelo desapego. Mas quem sofre a perda de um relacionamento que cumpriu seu prazo de validade, fica tão inconformado com as soluções para a cura, quanto pelo que se esvaiu.

Coração é órgão nobre e vital que não deveria ser sobrecarregado por falsas esperanças, insistências estéreis, esperas inúteis. Coração é terreno nosso, de plantio escolhido e colheita arbitrária.

Não se cura um coração partido. Coração não parte, fica: latejando, doendo, sufocando, mas inteiro. A gente tem é que tentar se curar de quem partiu. A gente tem que tentar se restabelecer pra aventura nova quando a febre passar e a disposição estiver de volta. Mas esse remédio amargo chamado tempo, é tão abominável na hora da dor, que não adianta explicar para alguém que ele ainda está vivo, quando este mesmo alguém acha que morreu.








Poeta, escritora, jornalista. Quando eu morrer, escrevam na minha lápide: "aqui jaz uma poeta que morreu de rir".