Como seria se você estivesse aqui?

Carol Daimond

São tantos filmes que você não viu, livros que não leu, músicas que não ouviu e quantas mudanças você não participou. Como seria bom dividir com você algumas alegrias, partilhar sobre as dores da alma e maravilhoso seria, você ver que deu certo. Sim, aquele plano que sempre falei, tá funcionando e as coisas estão indo como a gente imaginou, mas naquela época não acreditamos.

Como seria se você tivesse ficado e pudesse ver o jardim que deu flores, as mudanças corriqueiras do dia a dia que se transformaram em uma super mudança no fim da das contas, se você estivesse aqui, pode ser que agora estaríamos fazendo aquela viagem que eu disse que te levaria um dia, poderia brincar com as crianças, gargalhar bem alto das brincadeiras que elas inventam, tomaria aquele vinho que sempre sonhou e iria ver as montanhas, os lagos, os mares. Estamos cansados de saber que coisas assim, não se escolhe, é um plano do destino, a vontade de Deus, mas ainda assim seria tão bom, se ficar fosse uma opção, você poderia estar aqui hoje e eu estaria olhando algum presente pra te dar no seu aniversário.

São tantas cartas que você não pode ler, jogos que não participou, as festas que você amava e engraçado, não está mais aqui. E a gente fica aqui, querendo contar, querendo ouvir, querendo que você veja a mudança, que se alegre com as vitórias e dê um abraço para consolar os momentos difíceis. A cada novidade a gente pensa: e se você estivesse aqui, como seria?

E eu sempre penso, para onde vão os sonhos, as leituras, os ideais, os desejos, as alegrias e as memórias de quem parte? Se você estivesse aqui, poderia te dizer mais uma vez que você é importante pra mim, que sinto sua falta. Às vezes eu sonho e nos sonhos você me responde que: tá tudo bem. Me tranquiliza. E quando acordo dá uma vontade de dormir de novo e continuar daquele abraço em diante.

Hoje eu queria te contar que o mundo está tão diferente, tem coisas boas e outras mais ou menos, que a vida ainda é um mistério e que a morte uma grande interrogação. Queria que você soubesse que eu ainda penso nos seus conselhos e que você ficaria feliz em ver quantas coisas novas estão acontecendo, você iria olhar para a vida de uma forma nova, e viver de jeito diferente porque a internet tem um cardápio variado de informações, e hoje em dia não se faz mais nada escondido e quase tudo está a um clique de distância. Talvez, se você chegasse hoje, depois de uma longa viagem sem notícias de nada, não reconheceria o que ficou desde que você partiu e também duvidaria do mundo.

Quando alguém se vai, ficam as lembranças, a caneta em cima do bloco de notas com um recado carinhoso, os livros ficam pela metade, as roupas dobradas em cima da cama, uma mensagem não lida, um sonho não conquistado, pessoas que você não irá conhecer, músicas que você não vai cantar, os filmes que você não irá se emocionar, irá chover, depois vai parar e todo mundo vai reclamar do calor absurdo e em seguida dirão que o mundo tá chegando ao fim.

Mas a verdade é que vários mundos chegam ao fim, todos os dias e a gente nem se dá conta e todos os dias, outros mundos estão sendo reconstruídos, catando caquinhos de lembranças para aliviar as dores acumuladas. E a gente nunca sabe como seria se quem partiu, estivesse por aqui, gostamos de imaginar as coisas que faríamos juntos e pensamos sobre as risadas que nunca mais vieram dar graça, as conversas que foram emudecidas pelo adeus, o abraço que nunca mais virá aconchegar o coração aflito. A saudade passa a ter nome, os olhos procuram por esperança, a vida segue e o amor se transforma e transforma a gente.

E assim, transformamos sentimentos em textos para amenizar a saudade e ajudar a memória a lembrar quando for preciso e nos textos podemos contar sobre as amenidades, sobre a saudade encapsulada. Em palavras escritas, eternizamos e imortalizamos o amor, a lembrança e alegria dos tempos que não foram. Dizia o poeta, não é a morte em si o que mais dói, mas sim os momentos que você não poderá viver, interrompidos por um adeus inesperado, ficarão pela metade os livros e o coração de quem fica!

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Carol Daimond
Carol Daimond, mineira de Divinópolis, bacharel em Direito e apaixonada pelas palavras entrelaçadas, mãe, mulher e terapeuta thetahealer, uma mistura de mulher que a cada dia se reinventa em busca da sua melhor entrega em partilha para o mundo. Sua jornada como escritora começou de brincadeira e tem se tornado cada dia mais a sua marca pessoal de verdade e essência.

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