Basta um encontro para saber se vai dar certo: confie na sua intuição.

Marian Koshiba

Basta um encontro para saber se vai dar certo: confie na sua intuição.

Já há uns bons 7 anos solteira, eu tenho tido a oportunidade de aprender muito sobre mim e sobre o outro, no que se refere à relação amorosa.

E uma coisa delas é sobre intuição.

E aqui, eu peço aos céticos que não interrompam a leitura.

O que eu chamo de intuição, aqui, tem um sentido metafísico e místico (para aqueles que creem) mas também uma conotação racional (e nela é que irei focar).

O livro “O poder da intuição” de Gerd Gigerenzer traz os aspectos científicos do que é visto como intuição: é chegarmos a uma dada conclusão com premissas aparentemente incompletas ou insuficientes.

A questão é que, na realidade, aquela sensação que nos acomete, meio que sem motivos claros, inumeráveis e racionalmente concatenáveis, a que muitas vezes chamamos de “intuição”, não é uma sensação vinda do além: é uma conclusão obtida com a análise rápida de pequenas, micro evidências, captadas pelo nosso cérebro de forma veloz, que nos remetem a situações já conhecidas, já vividas, e assim nos permitem tomar conclusões rápidas.

Um exemplo dado no livro para ilustrar o funcionamento da intuição é ouvirmos um grande estrondo acima de nós, quando estivermos na cama, dormindo.

Você não sentará, calmamente, na cama, para então analisar cada pequeno detalhe e assim concluir o que está acontecendo e agir.

Você instintivamente pulará da cama, e sem muita filosofia depreenderá que algo está ruindo e sairá de lá correndo.

É assim, mais ou menos, que funciona nossa intuição.

Depois dessa pequena digressão necessária, voltemos: a intuição é essencial para nos protegermos de circunstâncias perigosas ou nocivas, sem que tenhamos de entrar de corpo inteiro numa situação para, então, percebermos que estamos enrascados.

É um sinal de alerta do nosso cérebro. Um aspecto importante da nossa sobrevivência.

No terreno das relações amorosas, a intuição é uma arma importantíssima. Note que, no primeiro encontro com um novo pretendente, você geralmente já sai com algumas impressões, ainda que não conclusivas (aquela coisa de “não sei, fiquei com uma sensação que não sei explicar”), e, repare, geralmente essa impressão somente se confirma nos encontros seguintes, com elementos mais concretos, exemplos delineados das suas anteriores impressões.

Mas costumamos ignorar essas primeiras dicas.

Seja porque não temos costume de acreditar em algo que não seja racionalmente construído (ainda que, como eu disse, haja um componente racional e lógico na intuição), seja porque queremos nos enganar, às vezes desejando, tão profundamente, que aquela seja “a pessoa”, que ignoramos os alarmes piscando.

Entretanto, a verdade é que acumulamos no cérebro nossas vivências, vamos guardando as lições que aprendemos na vida, e isso é igualmente real em relação ao nosso conhecimento sobre o comportamento humano e as relações afetivas.

Esses fragmentos de experiência é que formam aquela sensação intuitiva que temos quando conhecemos alguém, e temos uma impressão inicial sem entender muito bem o porquê.

Pois eu ouso aqui dizer, que o sucesso ou não de uma relação fica evidente desde o primeiro encontro na esmagadora maioria dos casos.

Em muitos deles, você confiar no seu feeling e encerrar a tentativa já no primeiro encontro, é a atitude mais sábia.

Em alguns, ainda restará uma dúvida razoável (afinal, algumas sensações podem também ser resultado de premissas erradas nossas, baseadas em traumas, por exemplo), e é plausível prosseguir por mais alguns encontros, reunindo outras sensações e intuições, evidências mais tangíveis aqui e acolá, para então confirmar ou não o que havia intuído na primeira oportunidade.

Em mais uns poucos, será necessário um tempo maior para continuar de olhos, ouvidos e intuição ligadas.

Mas em nenhum desses casos, eu digo, ignore suas primeiras sensações! Tome nota, disseque, averigue, bote reparo, saque sua lupa.

Essas primeiras sensações são ouro, ainda mais em terra de amor, em que a visão fica deturpada e o julgamento anuviado, confundindo pedra preciosa e vidro colorido com facilidade.

Guarde-as, sempre, em algum cantinho do seu coração, adormecido se preciso, mas sem ser esquecido.

Assim como perigos iminentes de predadores, situações de risco de vida, nosso cérebro e nossa intuição nos alertam sobre perigos emocionais, basta estarmos atentos o suficiente para ouvirmos e darmos crédito a essa voz interior.

E quanto mais notarmos essa voz intuitiva, mais acurada, afinada e precisa ela fica.

No próximo encontro, tire sua intuição do armário fundo da mente, tire a poeira e use sem moderação.

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Marian Koshiba
Formada em Direito, escritora por necessidade de alma, cantora e compositora por paixão visceral. Só sabe viver se for refletindo sobre tudo, sentindo o mundo à flor da pele. Quer transmitir tudo que apreende (e aprende) por todas as formas criativas possíveis.